• Carlos Gonçalves

A derrota grega do PSD/CDS

O repúdio pelo povo grego da submissão, da chantagem e do medo impostos pelos interesses financeiros e pelo directório de potências europeias foi um acto muito importante de resistência e dignidade, de vontade de mudança naquele país e na Europa. É agora que a solidariedade de classe e de princípio com os trabalhadores e o povo da Grécia é ainda mais necessária para vencer hesitações e perigos e abrir caminho a um futuro de dignidade.

O resultado do referendo grego foi também uma grande derrota do Governo PSD/CDS e do PR Cavaco, que sem respeito pela dignidade e os interesses do nosso País foram figurantes da brutal operação de provocação e guerra psicológica do FMI e da UE contra a democracia e a soberania da Grécia. Estiveram e estão do lado dos especuladores da dívida, dos novos esclavagistas, dos corsários do capital financeiro, dos que se julgam «donos da Europa», para impor a continuação da política de direita e de declínio nacional.

A sua postura é miserável: é preciso ajoelhar o povo grego para que o povo português não se levante e rompa com a submissão e a opressão. E o PS faz o pino para dizer coisa diferente, mas o que realmente quer é que alguma coisa mude, o futuro primeiro-ministro e o pessoal político, para que tudo – a política de direita de empobrecimento e submissão, em Portugal e na Grécia – continue na mesma.

Neste quadro, o Governo persiste na treta de que «Portugal não é a Grécia», escondendo a proximidade no essencial – a dívida insustentável, o círculo vicioso de estagnação-recessão, a brutal regressão social e os planos para agravar a situação –, na campanha do medo de que «o País está melhor» e não pode voltar atrás, de que as jornadas parlamentares do PSD/CDS são paradigma, no «vale tudo» do terrorismo financeiro, ideológico e mediático, com a ameaça do «não há dinheiro», as sondagens do «empate técnico» para «martelar a bipolarização» e as operações de lavagem ao cérebro das «inevitabilidades», que não resultaram na Grécia, como tarde ou cedo acontecerá em Portugal.

Ficou agora (re)comprovado que está nas mãos dos trabalhadores e do povo, na Grécia e em Portugal, derrotar os grandes interesses, o PSD/CDS e a política de direita, para construir uma Europa e um Portugal com futuro.




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