Editorial

«Todos os apoios e votos na CDU contam para eleger mais deputados e dar força à alternativa patriótica e de esquerda»

LUTAR PELA ALTERNATIVA

Fustigado pela política de direita o País continua a afundar. A ofensiva do Governo, de que foi instrumento central o pacto de agressão da troika (negociado e assinado pelo PS, PSD e CDS), deixa um enorme rasto de destruição e dramas sociais: o maior fluxo migratório desde que há registos (em 4 anos, 500 mil emigrantes); destruição de centenas de milhares de postos de trabalho, com a precariedade e o desemprego (incluindo o desemprego de longa duração) a atingir uma expressão massiva; cortes de centenas de milhões de euros nos salários e pensões; mais de 800 mil pessoas empurradas para a pobreza; eliminação de serviços públicos de importância fundamental para as populações; privatização de empresas estratégicas (EDP, PT, Ana, TAP, empresas de transportes terrestres, entre muitas outras); destruição da produção nacional e do aparelho produtivo com a entrada em vigor de novos instrumentos de domínio ou de desprotecção dos interesses económicos nacionais, em particular dos pequenos e médios produtores (fim das quotas leiteiras, extinção da Casa do Douro, abate da frota de pesca e limitações da pesca da sardinha); aumento da dívida pública em mais de 50 mil milhões de euros e um serviço da dívida que consome hoje nove mil milhões de euros anuais.

Perante a gravidade da situação e consciente das dificuldades que tem pela frente nesta batalha eleitoral, o Governo faz tudo para mistificar e falsear a realidade, como aconteceu recentemente na entrevista do primeiro-ministro a uma televisão.

Noutro plano, alinhando de forma vergonhosa com o directório da União Europeia nas pressões, ingerências e chantagem sobre a Grécia e o povo grego procura identificar-se com a verdadeira natureza desta UE dominada pelo grande capital. Identificação que também é extensiva ao PS, que valorizou o novo «memorando» imposto àquele País e o contributo por si dado para que tal acordo fosse possível.

PS e PSD/CDS que, acauteladas diferenças de grau e de ritmo ou variações de carácter secundário, avançam propostas nos seus programas eleitorais que não deixam dúvidas quanto aos verdadeiros objectivos que pretendem prosseguir: privatizações, alterações à legislação laboral, diminuição da TSU (comprometendo o financiamento da Segurança Social), cortes nos salários, cortes ou congelamento nas pensões, novos passos na submissão à UE. Programas onde, sintomaticamente, não se enxerga uma só palavra sobre a necessidade da renegociação da dívida, sobre o euro e a necessidade de estudar e preparar o País para se libertar desse constrangimento, sobre a necessidade de defender a soberania e independência nacionais.

 

O processo de ingerência, pressão e de chantagem da União Europeia sobre a Grécia ainda em curso, para lá das contradições, hesitações e cedências do governo grego, é demonstrativo da verdadeira natureza do processo de integração capitalista da UE e daquilo que, para o PCP, desde há muito se tornou uma evidência: a necessidade de renegociar a dívida e estudar e preparar o País para se libertar da submissão ao euro, por forma a promover o desenvolvimento, repor o aparelho produtivo, defender a produção nacional, criar emprego com direitos, assegurar a soberania e independência nacionais.

 

Mesmo em período estival, continua a desenvolver-se a luta de massas, a partir das empresas e locais de trabalho, como está a acontecer em diversas empresas e sectores.

E revestiu-se de grande importância a acção de convergência ontem realizada frente à AR,  pela ruptura com a política de direita e por uma alternativa política.

 

No plano do Partido e da CDU, foram muitas e com elevada participação as iniciativas realizadas na última semana, de que se destaca as sessões em Setúbal, Lisboa, Porto, Vila Real e Bragança.

Prossegue também a preparação da Festa do Avante!, assumida como tarefa prioritária das organizações do Partido neste momento, com particular atenção à divulgação e à venda da EP.

Prossegue igualmente o trabalho de reforço do Partido.

Urge agora avançar com a programação eleitoral até à Festa do Avante!. A par das acções de propaganda e iniciativas de campanha é necessário mobilizar os activistas da CDU para a realização de contactos nos locais de trabalho e de residência e em todos os locais de concentração das populações. É preciso esclarecer que todos os apoios e votos na CDU contam para eleger mais deputados e dar força à alternativa capaz de colocar Portugal nos caminhos do progresso social e do desenvolvimento soberano.

No sábado passado, realizou-se no Porto a sessão evocativa do centenário do nascimento da camarada Virgínia de Moura «que o Porto e o País guardarão sempre na memória, tal como o seu exaltante percurso de intrépida combatente pela liberdade, a paz, a melhoria das condições de vida do povo, dos direitos dos trabalhadores, da emancipação da mulher, da cultura, da libertação dos povos coloniais, por uma terra liberta da opressão e da exploração», como sublinhou o Secretário-geral do PCP na sua intervenção nesta sessão que contou com uma rica e diversificada participação de artistas e de centenas de militantes ou simpatizantes comunistas e muitos outros democratas e patriotas.

 

É exigente o trabalho que temos pela frente, em que se destaca a batalha eleitoral em que estamos envolvidos, mas há razões para confiar na luta deste povo pela alternativa patriótica e de esquerda, dando força aos nossos valores e projecto.


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