80 por cento da população só detêm 6 por cento da riqueza
Estimativas da ONU indicam
Mundo mais desigual e injusto

Nunca a riqueza e rendimentos globais foram tão elevados, nem a sua distribuição tão desigual aprofundando a injustiça, conclui-se dos dados mais recentes divulgados pelas Nações Unidas.


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O relatório do programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado segunda-feira, 14, indica que a riqueza e o rendimento globais atingiram em 2014 «o ponto mais alto de sempre». Porém, os dados disponíveis referentes à sua distribuição mostram que a desigualdade nunca foi tão grande.

No texto, regista-se que «cerca de 80 por cento da população detém [somente] seis por cento da riqueza mundial». Em 2016, estima também o documento do PNUD, um por cento da população concentrará mais de metade dessa riqueza. O fosso é ainda evidenciado com outra comparação: no ano passado, aquela elite dos mais ricos entres os ricos tinha uma riqueza média de 2,7 milhões de dólares por adulto, contrastando com os mais de 830 milhões de seres humanos que sobreviviam com menos de dois dólares por dia.

Outros indicadores expressam, igualmente, a dimensão da tragédia provocada pelo domínio à escala global do sistema capitalista, irracional e injusto. Apesar de alguns progressos – com destaque para os verificados em regiões ou nações nas quais se procura contrariar a prevalência do imperialismo –, o PNUD nota que mais de 600 milhões de pessoas continuam a usar uma fonte de água potável não melhorada. Cerca de 2,1 mil milhões carecem de saneamento básico adequado; 795 milhões de pessoas sofrem de fome crónica; 11 crianças menores de 5 anos morrem a cada minuto e 33 mães morrem a cada hora; 780 milhões de adultos e 103 milhões de jovens são analfabetos, e nos países tidos como desenvolvidos, 160 milhões de pessoas são consideradas iliteradas.

Em todo o mundo, 25 milhões de crianças não aprendem competências básicas, mesmo que cerca de metade tenha frequentado a escola pelo menos quatro anos, e 168 milhões de crianças (quase 11 por cento do total) configuravam os números do trabalho infantil.

No Relatório do Desenvolvimento Humano 2015, afirma-se, igualmente, que pelo menos 204 milhões de pessoas estão desempregadas, entre as quais 74 milhões de jovens. O número peca por defeito porque baseia-se nos indicadores oficiais de desemprego. Nunca menos de 1,5 mil milhões têm empregos vulneráveis, garante o PNUD.

O relatório foi divulgado uma semana depois de a ONU ter calculado que necessita de um valor recorde de 20 mil milhões de dólares para socorrer 88 milhões de pessoas entre os 125 milhões que dependem de ajuda humanitária para sobreviver. As Nações Unidas alertam que a cifra é cinco vezes superior à solicitada há dez anos, demonstrando a proliferação de conflitos, desastres e crises que afectam um número de seres humanos sem precedentes. Só os refugiados ou deslocados internos são 60 milhões, o maior contingente desde a Segunda Guerra Mundial.

 



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