Editorial

«a prioridade das prioridades da acção do Partido são as presidenciais»

AVANÇAR COM CONFIANÇA

Entrámos num novo ano carregado de exigências e preocupações, mas também de grandes potencialidades.

A situação política é dominada pela batalha das eleições presidenciais em que sobressaem, esta semana, os debates organizados pelos principais canais de TV com os dez candidatos numa aparente igualdade de oportunidades no tratamento mediático que a prática, entretanto, não confirma.

As eleições presidenciais são uma batalha política de grande importância que deve ser a prioridade das prioridades do trabalho das organizações do Partido.

No próximo domingo inicia-se a campanha oficial. É hora de convocar todas as nossas energias, todas as nossas capacidades, disponibilidade e determinação para ampliar a corrente de simpatia e apoio à candidatura de Edgar Silva.

É preciso mobilizar todo o colectivo partidário para o apoio e para o voto em Edgar Silva e organizar e alargar os contactos muito para lá das fronteiras partidárias. Informar, esclarecer e mobilizar para o apoio e para o voto neste candidato os trabalhadores e as populações que, nas suas lutas, foram consciencializando o significado de ter na Presidência da República quem cumpra e faça cumprir a Constituição, afirme os valores de Abril, se comprometa com a justiça social e defenda a soberania e independência nacionais. Alguém que se bata pela ruptura com a política de exploração e empobrecimento que desgraçou a vida de milhões de portugueses e lançou o País no declínio. Uma candidatura que faça prosseguir e aprofundar as alterações positivas já conseguidas em resultado da luta dos trabalhadores e das populações articulada com a acção, intervenção e iniciativa do PCP e com o voto do povo. Mas, sobretudo, empenhada na alternativa política patriótica e de esquerda.

Mas o reforço da dinâmica e o voto na candidatura de Edgar Silva é indissociável da criação de melhores condições para derrotar o candidato Marcelo Rebelo de Sousa, que PSD e CDS aspiram a ver na Presidência da República como sua «tábua de salvação».

Um candidato que tendo sido presidente, deputado e autarca do PPD/PSD; identificado com a política de direita; firme apoiante do processo de integração capitalista europeu e dos grandes grupos económicos e financeiros que hoje nos dominam; corresponsável pela destruição do nosso aparelho produtivo, direitos laborais e funções sociais do Estado, hoje se pretende fazer passar por candidato independente dos partidos, de mentalidade aberta e progressista, identificado com os interesses, direitos e aspirações dos mais fracos e até defensor do Estado democrático que, na Revolução de Abril, o povo conquistou e que, contra a sua vontade e do PSD e CDS, a Constituição, defendida a pulso pelos trabalhadores e pelo povo, continua a consagrar.

Os portugueses não se deixarão iludir, nem impressionar pela bem urdida campanha mediática que está em curso para dar já como certa a vitória de Marcelo. É preciso ter presente que quem decide é o voto do povo e não as sondagens nem os comentadores encartados ou de ocasião e que, ao contrário do que afirmam, nada está resolvido. Bem pelo contrário, tudo está em aberto.

Tal como nas eleições legislativas, estamos convictos que poucos serão aqueles que se deixarão enganar por esta engenhosa operação de propaganda.

Os trabalhadores e o povo, os jovens, os democratas e patriotas, as populações humilhadas, exploradas e ofendidas pela acção desastrosa do Governo PSD/CDS e que, pela luta e pelo voto, o derrotaram, não podem agora ir votar no mesmo candidato em que votarão Passos Coelho, Paulo Portas, Cavaco Silva, Freitas do Amaral e tantos outros representantes ou expoentes do grande capital.

Mesmo com um tratamento desigual por parte da máquina promocional ao serviço de Marcelo, é necessário e possível, tal como aconteceu nas legislativas, reforçar a campanha de massas, multiplicar os contactos, esclarecer e mobilizar para o apoio e para o voto em Edgar Silva, um homem justo, com um percurso de vida ao serviço da emancipação social dos mais fracos, empenhado em contribuir para a concretização da vontade de mudança de política a que os trabalhadores e o povo deram expressão nas últimas eleições.

O novo quadro político que estamos a viver impõe a necessidade de reafirmar a independência do Partido, combater visões instrumentais e utilitárias da sua actividade e estimular e desenvolver a acção reivindicativa e a luta de massas como factor determinante e decisivo de transformação social e política. Uma acção que, honrando os compromissos com os trabalhadores e com o povo, continuará orientada para a obtenção de respostas positivas aos seus problemas e aspirações, como já aconteceu em muitas matérias (entre outras, a devolução dos cortes nos salários da AP, reposição dos feriados retirados, que amanhã será decidida na AR, concessões de transporte aos trabalhadores e reformados da CP e das suas famílias e poderá acontecer, brevemente, com a reposição do horário semanal das 35 horas na AP). Mas, ao mesmo tempo, continuará a bater-se pela ruptura com a política de direita e pela concretização de uma alternativa patriótica e de esquerda.

Este deverá ser um ano de grande afirmação do PCP e de reforço da sua organização, intervenção e iniciativa a par do exigente trabalho de preparação e realização do seu XX Congresso marcado para 2, 3 e 4 de Dezembro. Exigência, luta e confiança que são sementes de futuro.

 


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