Março de 1915<br>– Publicação da revista Orpheu

Com a proclamação da República (1910), Portugal entra num período tão conturbado como fecundo da sua história. Numa atmosfera em que as inquietações suscitadas pela I Grande Guerra coexistiam com novas correntes estéticas e literárias, um grupo de jovens funda, em 1915, a revista Orpheu, que tinha como propósito fundamental agitar consciências e abrir caminho a um estilo novo. A iniciativa, em que participam, entre outros, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, intelectuais hoje consagrados, deu origem à primeira geração do Modernismo português: o Orfismo ou geração Orpheu. Os dois únicos números de Orpheu, lançados em Março e Junho de 1915, provocaram o escândalo e a troça dos críticos, como desejavam os seus promotores. O insucesso financeiro obrigou a revista a fechar portas, mas o movimento reforçou-se e continuou a desenvolver intensa actividade na denúncia inconformista da crise de consciência intelectual vigente, e a apostar na agitação intelectual, em «escandalizar o burguês».



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