Sindicatos exigem retirada total do projecto
Hollande recua após protesto massivo em França
Derrotar a lei antilaboral

Centenas de milhares de trabalhadores, estudantes e pensionistas participaram, dia 9, numa das maiores jornadas de luta dos últimos anos em França.

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O protesto massivo foi convocado por uma frente sindical contra o polémico projecto de alteração do código do trabalho. Mais de 250 manifestações tiveram lugar de Norte a Sul do hexágono.

A gravidade do momento foi sublinhada por uma poderosa greve nos caminhos-de-ferro, que teve perto de 70 por cento de adesão nos sectores da circulação. Dois em cada três comboios foram suprimidos. Na região de Paris, também os trabalhadores do Metro entraram em greve, causando perturbações nas ligações urbanas e suburbanas.

Surpreendente foi a adesão das organizações estudantis à jornada de luta. Recusando a retórica do governo de que as alterações à legislação laboral eram particularmente benéficas para a juventude, a união Nacional de Estudantes de França (Unef) denunciou o projecto retrógrado e conseguiu mobilizar dezenas de milhares de jovens do Secundário e do Superior.

Na região de Paris, onde as principais centrais sindicais promoveram uma manifestação com mais de cem mil pessoas, os estudantes bloquearam pelo menos 30 escolas do Secundário, montando barricadas com contentores do lixo e outros objectos.

Nas ruas, a juventude manifestou total rejeição ao projecto laboral, deixando claro que a precariedade não é solução para o desemprego massivo, que atinge 21 por cento dos jovens, o dobro da taxa nacional.

A Unef propõe-se continuar os protestos, tendo marcado para hoje, 17, uma nova jornada da acção em todas as universidades para exigir a retirada do projecto antilaboral.

Por seu turno, a CGT, FO e Solidaires anunciaram, para dia 31, greves em todos os sectores de actividade e manifestações por todo o país.

Hollande recua

A aprovação em Conselho de Ministro da nova legislação esteve inicialmente prevista para dia 9. Porém, face à contestação crescente, o governo de Hollande-Valls optou por ganhar tempo, remetendo para dia 24 a aprovação da lei.

Pôde assim certificar-se de que o coro de vozes críticas dentro do Partido Socialista e nos sectores da esquerda francesa ou a extraordinária adesão à petição lançada na Internet (que reuniu mais 1,2 milhões de assinaturas em pouco mais de duas semanas) traduzem uma oposição real dos trabalhadores à lei antilaboral.

A dimensão da jornada de luta revelou-se convincente. A um ano das próximas eleições presidenciais, Hollande e os seus ministros apressaram-se a pôr água na fervura.

Na segunda-feira, 14, o primeiro-ministro Manuel Valls qualificou como «um novo começo» a nova versão do anteprojecto apresentada aos parceiros sociais.

Segundo noticiou a agência France Press, todos os pontos «sensíveis» alvo de contestação foram retirados ou corrigidos, a começar pelo plafonamento das indemnizações nos despedimentos sem justa causa, medida que significaria na prática o fim da segurança de emprego.

Também as condições do despedimento por razões económicas serão mais apertadas para as empresas, prevendo-se que o tribunal possa verificar os motivos invocados.

Por outro lado, a legislação actual manter-se-á no que respeita ao horário e organização do tempo de trabalho. Quaisquer alterações terão de passar pela celebração de um acordo colectivo com os sindicatos.

O governo anunciou ainda o reforço de certos apoios à entrada dos jovens no mercado de trabalho, sinalizando assim que tomou nota das fortes mobilizações dos estudantes.

Para já a CGT, FO e Unef insistem na retirada do projecto e mantêm as acções de luta previstas.




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