Paris, 1934<br>– A verdade, de Bertolt Brecht

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Para dizer a verdade é preciso coragem, quando por toda a parte se empenham em sufocá-la; inteligência para a reconhecer, quando por toda a parte a ocultam; a arte de a tornar manejável como uma arma; o discernimento suficiente para escolher aqueles em cujas mãos ela se tornará eficaz; e a habilidade para difundir entre eles, escreveu Brecht, sublinhando que «estas dificuldades são grandes» até para os que «escrevem num regime de liberdades burguesas». Fazendo notar que «aqueles que estão contra o fascismo sem estar contra o capitalismo, que choramingam sobre a barbárie causada pela barbárie, assemelham-se a pessoas que querem receber a sua fatia de assado de vitela, mas não querem que se mate a vitela», deixa um alerta: «Numa época como a nossa, os governos que conduzem as massas humanas à miséria têm de evitar que nessa miséria se pense no governo, e por isso estão sempre a falar em fatalidade. (...) Mas é sempre possível opormo-nos à conversa fiada sobre a fatalidade: pode-se mostrar, em todas as circunstâncias, que a fatalidade do homem é obra de outros homens.» Oito décadas depois de ter sido escrito, o texto mantém uma actualidade tão grande que merece ser (re)lido por quem deseje combater a mentira e a ignorância.

 


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