Cada minuto de atraso no envio de socorro tem consequências fatais
No Sudão do Sul, Somália, Nigéria e Iémen
Fome ameaça 27 milhões

Mais de 20 milhões de pessoas em regiões de países da África e Ásia estão sob a ameaça iminente da fome. Esta situação resulta da «terrível combinação» de guerras e catástrofes naturais.

O secretário-geral das Nações Unidas lançou um apelo urgente para obter recursos financeiros para responder à ameaça de fome que enfrentam mais de 20 milhões de seres humanos, metade dos quais no Iémen (sete milhões) e na Somália (três milhões). Outros países atingidos por «altos níveis de insegurança alimentar» são o Sudão do Sul e a Nigéria.

Para António Guterres, esta situação resulta da terrível combinação de conflitos armados com o agravamento de fenómenos naturais como a seca e a desertificação devido às mudanças climáticas.

A ONU precisa de 5,6 mil milhões de dólares para as operações humanitárias nos quatro países só em 2017 e 4,4 mil milhões desse valor até ao fim de Março «para evitar uma catástrofe». As quatro crises são diferentes, mas têm um denominador comum: todas podiam ser evitadas e foram originadas por conflitos armados.

Segundo o director-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, «cada minuto de atraso no envio de socorro imediato tem consequências fatais».

Os dados são assustadores: «Uns 27 milhões de pessoas em quatro países – Iémen (14 milhões), Sudão do Sul (cinco milhões), Nigéria (cinco milhões) e Somália (três milhões) – sofrem actualmente de grave insegurança alimentar, o que significa que já estão desnutridos e, em muitos casos, não têm outra opção senão vender os activos produtivos de que dispõem para sobreviver».

Nunca antes, nos últimos 20 anos, houve tanta gente à beira de um desastre de tal magnitude, considera José Graziano, para quem é evidente que a catástrofe é causada pelo homem, até porque nos quatro países há conflitos armados.

O Iémen enfrenta a maior crise humanitária mundial, com dois terços da população em situação de insegurança alimentar, em fase de crise ou emergência.

No Noroeste da Nigéria, é provável que haja já fome em enclaves de difícil acesso no estado de Borno, onde mais de um milhão de pessoas fugiram das suas casas, devido às acções terroristas do Boko Haram e à resposta militar do exército governamental. As dificuldades podem já ter atingido também populações dos vizinhos Níger, Chade e Camarões.

Na Somália, o preço da água disparou para quase um dólar o litro, tornando-a inacessível para os pastores que dependem do gado para alimentar-se.

No Sudão do Sul, onde uma guerra civil obrigou a deslocalização de milhões de pessoas, os preços dos alimentos básicos quadriplicaram no último ano.




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