Almaraz é um perigo transfronteiriço
Marcha antinuclear em Madrid exige o encerramento de centrais

ANTINUCLEAR Portugueses e espanhóis reclamaram, sábado, 10, em Madrid, o fecho das centrais nucleares na Península Ibérica, a começar pela de Almaraz.

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Cerca de 120 organizações portuguesas e espanholas fizeram-se representar na manifestação convocada pelo Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), incluindo uma delegação do Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV), que em Portugal tem assumido protagonismo na reivindicação do fim da exploração da energia atómica e em particular do encerramento da central nuclear de Almaraz, cuja manutenção em funcionamento se perspectiva agora para lá de 2020.

O MIA, bem como o PEV, pretendem que o Estado espanhol não renove as licenças da centrais nucleares que operam no território, as quais caducam até 2024. O movimento antinuclear alerta que as infra-estruturas estão a envelhecer aumentando o risco de acidentes e realça que entre os povos da Península Ibérica cresce a consciência da necessidade de apostar em alternativas sustentáveis, designadamente em fontes renováveis de energia.

Em Madrid, a deputada do PEV Heloísa Apolónia, citada pela Lusa, reiterou que a central nuclear de Almaraz, situada a cerca de 100 quilómetros de Portugal e nas margens do Rio Tejo, é «um perigo transfronteiriço». Criticou, além do mais, o Governo português por se ter «encolhido muito» face ao homólogo espanhol.

Em causa está a desistência do Estado português de contestar a construção de um aterro de resíduos nucleares em Almaraz – o que, aliás, foi decidido por Madrid sem consultar Lisboa –, bem como de se bater contra a prorrogação, por Espanha, do prazo para que as multinacionais do sector energético que exploram as centrais peçam o prolongamento do período de vida destas.
Na passada quarta-feira, 7, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, afirmou que sobre Almaraz e o aterro nuclear «não há nada a discutir», e considerou que as conclusões da mais recente Cimeira Ibérica (a 29 e 30 de Maio, em Vila Real) sobre a matéria foram claras.

 



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