Independentistas catalães insistem na realização do referendo
Catalães marcham pelo direito de decidir

CATALUNHA Centenas de milhares de catalães participaram, na segunda-feira, 11, numa gigantesca manifestação, em apoio à tentativa de realização de um referendo sobre a independência.

A «Diada», data que assinala a conquista de Barcelona pelo rei de Espanha Filipe V, em 1714, depois de um cerco de 14 meses, foi este ano assinalada para defender a causa da independência.

Sob a consigna «A Diada do Sim», centenas de milhares de pessoas das diferentes regiões da Catalunha convergiram para Barcelona, numa das maiores marchas populares de que há memória naquela região de Espanha.

Num momento de grande tensão entre o governo de Madrid e o governo catalão, os independentistas insistem em realizar um referendo a 1 de Outubro, cujos resultados sejam vinculativos.

O Tribunal Constitucional de Espanha suspendeu, na quinta-feira, 7, como medida cautelar, a lei aprovada no dia anterior pelo Parlamento da Catalunha que dava cobertura legal à realização da consulta sobre a independência da comunidade autónoma.

O decreto que convoca o referendo foi assinado pelo governo da Catalunha (Generalitat), mas o executivo de Madrid considerou o acto inconstitucional.

Os independentistas reclamam há muito tempo um referendo sobre a independência da Catalunha, em moldes semelhantes aos que foram realizados no Québec (Canadá) ou Escócia (Reino Unido).

Em 2014, os independentistas organizaram uma «consulta simbólica» sob a forma de referendo não vinculativo na Catalunha, em que participaram 2,3 milhões de pessoas, oitenta por cento das quais se pronunciaram pela independência.

No entanto, o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, qualificou «a convocação de um referendo sobre a independência» como «um acto intolerável de desobediência às instituições democráticas».

Por seu lado, os independentistas consideram que cabe apenas aos catalães a decisão sobre a permanência da região em Espanha, enquanto Madrid se apoia na Constituição do país para insistir que a decisão sobre uma eventual divisão do país tem de ser tomada pela totalidade dos espanhóis.

Os partidos independentistas têm uma maioria de deputados no parlamento regional da Catalunha desde Setembro de 2015, o que lhes permitiu anunciar, em 2016, a organização de um referendo sobre a independência, mesmo sem o acordo de Madrid.

A Catalunha, que tem uma língua e cultura próprias, é a região mais rica de Espanha, com cerca de 7,5 milhões de habitantes e um território que representa um terço da área de Portugal.




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