Editorial

«Recuperar a soberania económica, financeira, orçamental e monetária»

FORÇA E CONFIANÇA PARA AFIRMAR A CDU

Aproximamo-nos a passos largos das eleições autárquicas de 1 de Outubro. Aproveitando todas as possibilidades para divulgar os seus candidatos, propostas e projecto, a CDU multiplica os contactos e iniciativas combatendo opções erradas ou incertas mesmo quando se escondem sob a capa de uma falsa independência. Tenta desta forma ultrapassar o tratamento discriminatório de que é alvo por parte dos principais órgãos da comunicação social, afirmando com força e confiança o seu projecto autárquico distintivo.

Mais votos na CDU e a eleição de mais candidatos da Coligação Democrática Unitária, PCP-PEV, não são apenas garantia, em cada freguesia e concelho, de um trabalho ao serviço das populações e de resposta aos seus problemas. De facto, a CDU tem respondido com Trabalho, Honestidade e Competência às necessidades de desenvolvimento e progresso locais com soluções criativas e concretas para problemas muitas vezes complexos. Mas o reforço da CDU a nível local traduz de igual modo a consciência do papel decisivo do PCP e da CDU, da necessidade do seu reforço e da importância do seu peso na vida política nacional, para levar mais longe a reposição, defesa e conquista de direitos.

Mais votos na CDU são garantia de novos passos e avanços na resposta aos problemas dos trabalhadores, do povo e do País.

Mais força à CDU significa assegurar melhores condições para a aprovação dos projectos de lei que o Grupo Parlamentar do PCP apresentou recentemente na Assembleia da República tendo em vista a reposição dos 25 dias de férias para os trabalhadores da Administração Pública, a reposição das freguesias, o aumento do salário mínimo nacional para 600 euros em Janeiro de 2018, a alteração do regime de concurso dos professores de modo a garantir a vinculação e a estabilidade da sua vida pessoal e profissional, a adopção de medidas para o efectivo combate à precariedade, entre muitas outras matérias pelas quais o PCP se bate em defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores e do povo, de que é exemplo significativo o projecto de resolução sobre o investimento e modernização das redes de transportes e infra-estruturas, essenciais ao desenvolvimento do País.

Nesse mesmo sentido se realizou na passada segunda-feira, 18, na AR, o encontro entre membros das ORT da PT/Altice e o PCP com a participação de Jerónimo de Sousa. Neste encontro, o secretário-geral do PCP teve a oportunidade de reafirmar que os trabalhadores da PT poderão continuar a contar com o apoio do Partido à sua justa luta mas reafirmou igualmente que são a unidade e a luta organizada dos trabalhadores os factores decisivos para defender a PT e os seus direitos.

Esta semana foi anunciado que a agência norte-americana de notação financeira Standard & Poor’s decidiu rever em alta o rating da dívida soberana portuguesa de BB+ para BBB-, que significa a saída da classificação da divida do País da categoria «lixo». Ora, como sublinhou o Secretário-geral do PCP, Portugal não pode ficar dependente das agências de rating – instrumentos de exploração e de domínio criados pelo capital monopolista – para tomar as suas opções. O que é preciso é apostar na produção nacional, na criação de emprego, na melhoria dos serviços públicos, na melhoria das condições de vida dos portugueses. O que é necessário é que Portugal recupere a sua soberania económica, monetária, financeira e orçamental para levar mais longe a defesa, reposição e conquista de direitos. O que é imprescindível é um outro rumo político para o País que abra caminho a um Portugal desenvolvido e de progresso em que sejam os portugueses a determinar o seu futuro.

Do mesmo modo, o Governo anunciou o abatimento de uma parcela da dívida pública procurando assim induzir a ideia da recuperação económica sustentável do País e, ao mesmo tempo, mostrar que a renegociação da dívida não se afirma necessária. Ora, reconhecendo embora melhorias limitadas na situação económica do País resultantes da reposição de direitos e rendimentos, o PCP reafirma a necessidade incontornável de renegociação da dívida nos seus prazos, juros e montantes. É preciso libertar recursos para o desenvolvimento do País; é preciso repor e defender o aparelho produtivo; é preciso valorizar a produção nacional sem a qual a recuperação, o desenvolvimento e o progresso não passam de ilusões. Como o comprova, aliás, o encargo brutal de cerca de oito mil milhões de euros anuais só com o serviço da dívida (essencialmente juros) que consome recursos financeiros indispensáveis ao País.

O PCP continuará os seus combates para levar mais longe a política de defesa, reposição e conquista de direitos e por uma política patriótica e de esquerda que responda às necessidades de desenvolvimento soberano do País.



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