1979 – Sinais de Fogo, de Jorge de Sena

«Pensador que sente e sentidor que pensa», como Eugénio Lisboa o defeniu, Jorge Cândido de Sena é um dos grandes poetas, ficcionistas, dramaturgos e ensaístas de língua portuguesa e uma figura incontornável da cultura nacional e internacional do século XX. A sua vasta obra literária, profundamente marcada pelo seu espírito humanista e pela assumida oposição à ditadura de Salazar que em 1959 acaba por o levar ao exílio no Brasil, após o envolvimento numa tentativa falhada de golpe de Estado militar contra o regime fascista, inclui essa verdadeira obra-prima que é o seu único e inacabado romance, Sinais de Fogo. Reconstrução da sociedade portuguesa entre 1936 e 1959, provinciana, burguesa, mas onde também clandestinamente comunistas e outros democratas se batem pela democracia, a obra tem como pano de fundo a eclosão da Guerra Civil de Espanha, o acontecimento que, segundo Mécia de Sena, catalisa o «despertar do protagonista para a realidade política e social, para o amor e até para o acto da criação poética». Parafraseando Sena, in «40 Anos de Servidão», é preciso ler Sinais de Fogo, pois é preciso «comprar alguns livros» para, quando se nos fechar uma porta, abrir um deles, folheá-lo, arrumá-lo... e sair de casa até outra porta.



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