• Ângelo Alves

A cimeira intercoreana aponta a uma «era de paz»
A Cimeira das Coreias

A realização da cimeira intercoreana no passado dia 27 de Abril, na «Casa da Paz» em Panmunjom, com delegações dirigidas por Moon Jae-in e Kim Jong Un, constitui um facto de grande importância na evolução da situação na península coreana e no plano internacional. O conteúdo da Declaração de Panmunjom, as declarações proferidas e os elementos simbólicos que acompanharam a cimeira e as negociações contêm reais sinais de esperança numa «era de paz» para a península, que a Declaração afirma ter-se iniciado.

Num mundo marcado por uma crescente instabilidade, por uma cada vez mais acentuada estratégia militarista e de guerra do imperialismo, estes desenvolvimentos têm um importante significado no desejável desanuviamento da tensão internacional. A Declaração da cimeira aborda importantes questões e desafios no caminho para a paz: afirma a vontade de pôr fim a todos os actos hostis de parte a parte; estabelece o objectivo de transformar a actual zona desmilitarizada em Zona de Paz, e de criar no Mar leste da Coreia uma área marítima de paz; decide da realização de reuniões regulares entre autoridades militares, incluindo ao nível de ministro da defesa; e afirma a intenção de terminar com o actual estado «não natural de armistício», substituindo-o por um «regime sólido de paz na Península».

Para lá dos princípios e desígnios mais gerais, a Declaração aborda ainda duas importantes questões: o desarmamento e a desnuclearização da península. Mas é o próprio texto da Declaração que demonstra haver muito caminho a percorrer. No campo da desnuclearização, e para lá de uma referência geral à «mobilização da comunidade internacional para apoio à desnuclearização da península», as únicas referências concretas são relativas à República Popular Democrática da Coreia, a partir da valorização dos passos entretanto demonstrados, notando-se simultaneamente a ausência de referências à República da Coreia nesta questão.

O objectivo do desarmamento, faseado, é condicionado à diminuição da tensão militar e à construção da confiança mútua. De facto, não há outro caminho. No entanto, são ausentes referências ao fim da presença de forças militares estrangeiras na península coreana, um dos grandes obstáculos à Paz e à solução política de um conflito desencadeado por uma intervenção imperialista.

A questão da reunificação, da cooperação e da resolução de problemas humanitários resultantes da divisão da península são o grande objectivo proclamado. Esse é, a par com a desnuclearização e o fim da presença militar estrangeira, o grande desígnio que pode devolver a paz e a união a todo o povo coreano. O passo agora dado é de grande importância. Mas seria uma ingenuidade pensar que a Cimeira de Panmunjom garantiu só por si esse grande objectivo; que constitui já um acordo de paz; ou que os EUA passaram, por passe de mágica, a ser paladinos da paz na península coreana, ao mesmo tempo que incendeiam o resto do Mundo.

Será o tempo a dizer até onde poderá ir a Cimeira de Panmunjom. Pelo caminho, e como já denotam as declarações de Trump, irão ser vários os obstáculos que o imperialismo colocará a uma paz justa, soberana e duradoura na Coreia.

 



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