Na organização do Festival participa o movimento associativo juvenil
Festival Liberdade é «obra colectiva e exemplo para a comunidade»

ASSOCIATIVISMO A Praia dos Moinhos, em Alcochete, acolheu nos dias 15 e 16 de Junho o Festival Liberdade, promovido pela Associação de Municípios da Região de Setúbal, municípios e estruturas associativas.

Além da música que passou pelos três palcos existentes no recinto, houve também espaço para o cinema e o teatro, para o desporto e para a animação de rua, para exposições de variadas formas de arte e para o natural convívio. Mas a maior riqueza do Festival Liberdade, conforme afirmou ao Avante! Sofia Martins, da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), é o facto de «o Festival ser o corolário de um trabalho que se faz durante todo o ano – e que se tem desenvolvido ao longo dos anos, de envolvimento dos municípios mas também do movimento associativo juvenil da região».

«Organiza-se fóruns, encontros e reuniões para discutir a organização e conteúdos do Festival, elege-se uma comissão organizadora, distribui-se tarefas, faz-se balanços», afirma, atalhando que estiveram envolvidas mais de 60 associações juvenis e grupos informais, num total de 900 pessoas que deram o seu contributo sob as mais diversas formas para a construção do Festival. Durante o próprio Festival cada um dos construtores teve também espaço para mostrar a sua associação à população que passou pelo recinto. Cerca de 30 associações, desde juventudes partidárias, associações desportivas, de teatro, de música, escuteiros, de mulheres ou de movimentos da paz, tinham exposições em stands onde puderam mostrar a sua actividade, as suas propostas, os seus propósitos e a sua visão de mundo.

Muitas delas preenchendo lacunas onde as opções dos sucessivos Governos falham, levando a cultura ou o desporto, por exemplo, a quem de outra forma não lhes teria acesso. Além dos stands, como afirmou Jorge Martins, também da AMRS, há ainda «outras associações ou grupos que fazem, por exemplo, uma dança ou um concerto, animação de rua ou demonstrações de desportos», estando portanto envolvidas no festival de várias formas.

Esta dinâmica de trabalho colectivo no Festival, cuja primeira edição remonta ao ano de 1994, na Quinta da Atalaia, no Seixal, para comemorar o 20.º aniversário da Revolução de Abril, é, aliás, uma das razões para o sucesso e crescimento do Festival de ano para ano, «devido ao grande compromisso e empenho de cada um por ser uma iniciativa de todos», refere Sofia Martins, adiantando de seguida que esta obra colectiva «é um exemplo para a comunidade».

 

Um Festival que é muito mais que música

No sábado, na Tenda da Juventude, realizou-se um debate sobre os «70 anos da aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Homem», com Vítor Dias, resistente antifascista, e Yousif Rabeh, um jovem palestiniano a viver num acampamento de refugiados no Líbano, como oradores.

Vítor Dias referiu a esplêndida actualidade da Carta e lembrou que muitos dos direitos nela consagrados ainda não são hoje uma realidade para muitos milhões de pessoas no mundo. Por sua vez, Yousif, através de videochamada, deu o exemplo da ofensiva imperialista sobre o povo palestiniano que impede o exercício de direitos políticos, económicos e sociais, mas também o exemplo da resistência de um povo «que apenas quer dignidade e paz».

Dos presentes no debate vieram também contríbutos para a discussão sobre ataques a direitos básicos que não são garantidos no nosso País, como o acesso a uma educação gratuita, democrática e de qualidade, o impedimento de realização de reuniões de alunos nas escolas, os ataques às liberdades de propaganda e sindicais, a falta de estabilidade no emprego e de condições de vida em geral. Uma ideia central ficou clara: a Carta Universal dos Direitos do Homem «tem uma tremenda validade nos dias de hoje e não pode ser vista como uma coisa que tem 70 anos», conforme referiu Vítor Dias, e, portanto, importa que se prossiga a luta para que os direitos nela consagrados sejam uma realidade no seu todo e para todos.

Durante a parte da tarde realizou-se o Encontro do Movimento Associativo, onde foi discutida a situação das associações, os seus problemas e aspirações e apontadas algumas soluções. Aquele espaço serviu também para as associações darem alguns contríbutos para o desenvolvimento do trabalho para o próximo Festival Liberdade, tendo, para o efeito, sido aprovada uma resolução onde as associações se comprometem a dar continuidade ao Festival e aos valores de Abril que ele transporta.




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