O bloqueio representa o maior obstáculo ao desenvolvimento de Cuba
As grandes decisões da Revolução foram debatidas pelo povo cubano

ENTREVISTA Ileana Hernández é coordenadora da Europa da Divisão de Relações Internacionais do Comité Central do Partido Comunista de Cuba. Ao Avante! falou dos enormes desafios que estão colocados à ilha socialista e da decisiva unidade do povo para garantir um país soberano e independente.

Prestes a celebrar 60 anos da gesta heróica dos «barbudos» liderados por Fidel Castro, que a 1 de Janeiro de 1959 libertaram a capital, Havana, Cuba é um exemplo inspirador para todos os comunistas, revolucionários e progressistas de todo o mundo, pelo que alcançou e pela tenaz resistência que desde então impõe ao poderoso vizinho do norte, os EUA.

Que consequências tem para o país o incremento do bloqueio económico, financeiro e comercial dos EUA contra Cuba, levado a cabo nos últimos meses?

O povo de Cuba vive sob os efeitos do bloqueio há quase 60 anos. É uma política injusta que os EUA aplicam contra a nação cubana, cujo objectivo é procurar afundar o país pela fome, a miséria e o isolamento. O bloqueio representa o maior obstáculo ao pleno desenvolvimento da economia cubana e ao bem estar do povo de Cuba e às relações económicas, comerciais e financeiras de Cuba com outros países. O bloqueio constitui um acto genocida já que é uma violação massiva, flagrante e sistemática dos direitos humanos de todos os cubanos.

Durante estes anos, nós, cubanos, tivemos que reorientar os nossos mercados, o que implicou ter de assumir o dobro ou até o triplo dos custos por qualquer produto, pela distância a que tivemos de ir para os adquirir. Isso implicou um custo enorme para a nossa economia e representa um desafio por sermos uma ilha…

Que medidas estão a ser levadas a cabo para minimizar essas consequências tão nefastas que acabaste de referir?

Cuba trabalhou para desenvolver as indústrias do turismo e da biotecnologia, exportar serviços, promover com grandes esforços a exportação dos nossos produtos emblemáticos, como o tabaco e o rum, enfrentando também a queda dos preços no mercado internacional do açúcar e do níquel (outras fortes exportações cubanas). A tudo isto acrescenta-se a limitação de não podermos utilizar o dólar nas nossas transacções bancárias. Atendendo às suas particularidades, Cuba promoveu uma lei de investimento estrangeiro, actualizada e moderna, acompanhada de uma carteira de oportunidades a fim de promover a mobilização de tecnologia, matérias-primas e capitais para desenvolver as diferentes esferas da economia nacional.


Como aprecias a participação popular no debate sobre a proposta de nova Constituição da República de Cuba e que aspectos são já possíveis de destacar desse debate?

Os cubanos estão comprometidos com a Revolução e é esse o motivo pelo qual a participação no processo de debate constitucional se faz de forma activa e consciente de que o que propomos é o que desejamos para a Cuba de hoje e do futuro. Todas as propostas têm, por isso, um valor extraordinário. Este é tema de todos os dias hoje em Cuba porque os cubanos têm por experiência que o que levamos a debate popular acaba por enriquecer-se e por nos unir mais. Este debate foi utilizado nas decisões transcendentes desde o início da Revolução.

Para este exercício de debate popular, amplo e livre está prevista a realização de assembleias de base, com a qual Cuba dá ao mundo um exemplo de democracia participativa. O resultado do debate, uma vez aprovado pela Assembleia Nacional de Poder Popular, será submetido a referendo mediante o voto directo e secreto do povo. Estamos certos de que com este processo se decidirá de forma livre e consciente o sistema político, o modelo económico e o regime social que vigorarão nas próximas décadas na nossa ilha livre, soberana e independente.

Que desafios se colocam a Cuba e ao seu povo quando se aproxima a comemoração do 60.º aniversário da Revolução?

Cuba tem muitos desafios pela frente, mas importa ter presente que foram inumeráveis aqueles que já teve que vencer para manter a sua independência, soberania e unidade. Relativamente aos enormes desafios que enfrentamos, e enumerarei alguns deles, teremos de prosseguir o esforço de desenvolver a nossa economia próspera e sustentável, em condições adversas, sob a pressão que implica o recrudescimento do bloqueio económico, comercial e financeiro. Outro desafio prende-se com a recuperação dos danos causados pelos fenómenos atmosféricos e as graves consequências das devastações provocadas em habitações e na agricultura. Depois, temos de manter as conquistas alcançadas a nível social, político, educativo e na saúde e prosseguir a batalha pela devolução do território ilegalmente ocupado [pelos EUA] na província de Guantánamo.

Queres deixar alguma palavra para os leitores do Avante!?

Aos leitores do Avante! deixo uma saudação e votos de êxito para as próximas edições da Festa do Avante!, para que continue a ser o espaço para que todos os amigos e homens de bem do mundo possam dar e receber solidariedade pelas causas que nunca abandonaremos. Quero ainda agradecer ao Partido Comunista Português e à Associação de Amizade Portugal-Cuba pela solidariedade que sempre nos têm prestado na batalha pelo levantamento do bloqueio.




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