1904 / 1907 – Genocídio do povo herero

«O chefe Samuel Maharero… começou a planear uma revolta contra as autoridades coloniais alemãs e os colonos alemães brancos no país. Como resultado, em Janeiro de 1904 a revolta começou ... Ao seu espírito revolucionário e à sua índole visionária, humildemente oferecemos a nossa honra e respeito». As palavras de Sam Nujoma, líder da SWAPO e primeiro presidente da Namíbia independente, foram proferidas em 2002, aquando da transladação dos restos mortais de Maharero para o Herero Grave Complex, memorial onde repousam os principais chefes do seu povo. Um povo vítima do que muitos historiadores classificaram de «Auschwitz Africano» e que o relatório Whitaker da ONU incluiu, em 1985, entre os primeiros genocídios do século XX. Submetidos ao domínio alemão, os herero eram vítimas de confisco de terras e gado (sua fonte de subsistência), trabalhos forçados, escravidão e violência. A revolta eclodiu. Duzentos colonos alemães foram mortos. A retaliação, conduzida pelo general Lothar von Trotha, não poupou ninguém. Em três anos, as tropas alemãs eliminaram barbaramente 85% da população, confinando os poucos sobreviventes em reservas, como escravos. O governo alemão já reconheceu e pediu desculpa pelo crime, mas descarta qualquer compensação aos descendentes das vítimas.



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