1971 – O «Manifesto das 343 vadias»

Um texto curto e incisivo da autoria da escritora, filósofa e activista política Simone de Beauvoir, subscrito por 343 mulheres que assumiam ter abortado, abalou a sociedade francesa. Publicado no semanário Nouvel Observateur, o documento denunciava a hipocrisia social reinante, em que quem dispunha de meios podia abortar sem correr riscos, enquanto as pobres tinham de o fazer clandestinamente, arriscando a vida e enfrentando a prisão. «Declaro que sou uma delas. Declaro ter abortado. Tal como reclamamos o livre acesso aos meios contraceptivos, reclamamos também o aborto livre», afirmava o texto assinado por figuras como as actrizes Jeanne Moreau e Catherine Deneuve, ou intelectuais como Françoise Sagan e Annie Leclerc. Tratava-se de um acto político, não de uma confissão, em que subscritoras assumiam o que então era um crime para contestar a legislação em vigor. Uma semana depois do escândalo provocado pelo Manifesto, o semanário satírico Charlie Hebdo publica um desenho com a pergunta «Qui a engrossé les 343 Salopes du manifeste sur l'avortement?» («Quem engravidou as 343 vagabundas do manifesto sobre o aborto?»). E foi assim que o manifesto passou à história. Cerca de um ano mais tarde, a «lei Veil», da ministra Simone Veil, legaliza o aborto.



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