1637 – A revolta do Manuelinho

Rezam as crónicas que em Portugal a «época é de crise geral, afectando todo o homem, em todas as suas actividades: económica, social, política, religiosa, científica, artística, e em todo o seu ser, no mais profundo da sua potência vital, da sua sensibilidade e da sua vontade». Submetido à dominação espanhola, o país vive numa situação em que «perto da décima parte do povo está reduzida à mendicidade, das nove outras partes, cinco não estão em estado de poder dar esmolas, porque eles próprios estão quase reduzidos àquela infeliz condição, das quatro partes restantes, três estão em apuros e carregados de dívidas e de processos…». Quando a nobreza e o clero nacionais fazem recair sobre o povo os encargos de uma nova contribuição imposta por Filipe IV, a revolta rebenta, tendo como epicentro a cidade de Évora. O povo sai à rua, assalta e incendeia as casas de nobres e de representantes da coroa espanhola. Forma-se uma junta governativa que emite comunicados com a assinatura de «Manuelinho», um conhecido louco de Évora. A revolta estende-se pelo Alentejo e Algarve até ser subjugada militarmente por Castela. Conhencida como as Alterações de Évora, a revolta do Manuelinho é apontada como precursora da conspiração que levou à independência em 1640.




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