• Jorge Cadima

O belicismo imperialista ameaça a sobrevivência da Humanidade
Outro vírus

O coronavírus COVID-19 vai ser culpado dos males do mundo e talvez venha a justificar (Financial Times, 6.3.20) «empréstimos baratos aos bancos […e] uma injecção coordenada de liquidez no sistema bancário» (não deveria ser nos SNS?). Mas outro vírus, muito mais perigoso e mortal, está a alastrar: o vírus do belicismo imperialista, que ameaça a sobrevivência da Humanidade.

Na Conferência de Segurança de Munique (14-16.2.20), o Ministro da Defesa dos EUA, Mark Esper, atacou frontalmente a China e a Rússia: «a primeira prioridade» dos EUA é «implementar a Estratégia de Defesa Nacional» que proclama que «vivemos numa era de Concorrência entre Grandes Potências, sendo o nosso principal contendente a China, e logo depois a Rússia, e que devemos distanciarmo-nos dos conflitos de baixa intensidade e prepararmo-nos de novo para a guerra de alta intensidade[sic]» (www.defense.gov, transcrição oficial). Como «prioridades de segundo nível» indicou «os Estados párias, como a Coreia do Norte e o Irão». Apesar de ter acabado de tentar destituir Trump por outras questões, a Presidente da Câmara de Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, do Partido Democrático, confirmou em Munique que essa política unifica o grande capital e o poder nos EUA. Em resposta a uma pergunta sobre se concordava com a política de Trump em relação à China, foi clara: «estamos de acordo a esse respeito». E ameaçou os aliados europeus: «não se aproximem da Huawei» (vídeo disponível no site da Conferência). Já no discurso do Estado da União, em sessão conjunta do Parlamento dos EUA, Pelosi interrompeu momentaneamente o seu rasgar das páginas do discurso de Trump para aplaudir, de pé e em conjunto, o fantoche Guaidó, que Trump nomeou ‘Presidente’ da Venezuela. Por detrás das disputas pelo poder, estão unidos na imposição pela força do (senil) Império Estado-Unidense.

Poucos dias após Munique (25.2.20), a Comissão para as Forças Armadas do Senado dos EUA ouviu o Comandante Aliado Supremo da NATO para a Europa e Comandante do Comando Europeu dos EUA, General Todd Wolter (vídeo disponível em c-span.org). Declarou-se pronto a «curar a influência maligna da Rússia» que considerou um «inimigo potencial». Questionado sobre a sua opinião em relação à política de não utilizar armas nucleares antes da sua utilização por um adversário (a «no first use policy» que foi, até ao fim, a doutrina da União Soviética), Wolters foi franco: «sou fã duma política de first use flexível». Ou seja, o «uso flexível» de armas nucleares mesmo sem qualquer ataque nuclear prévio. Interrogado sobre os aliados da NATO, declarou que nunca conheceu «maior coesão». Exemplificou referindo que «pela primeira vez em mais de seis décadas, aprovámos uma Estratégia Militar da NATO. É um documento sigiloso, secreto, da NATO, que define a ameaça e a actividade que temos de empreender». Explicitou que essa Estratégia Militar da NATO «é muito semelhante à Estratégia de Defesa Nacional dos Estados Unidos» (aprovada em 2018, mas igualmente secreta, conhecendo-se apenas um resumo). Ficámos a saber pelo émulo do Dr. Estranhoamor que o Governo PS atrelou Portugal à secreta Estratégia de Defesa Nacional (dos EUA) de Trump e à ‘liberdade democrática e ocidental’ de provocar um holocausto nuclear.




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