Editorial

«garantir o reforço do Partido»

O PCP CUMPRE O SEU PAPEL

A situação social foi de novo esta semana dominada pelas consequências directas do surto epidemiológico da COVID-19, das medidas com vista à sua mitigação e do aproveitamento que é feito para agravamento da exploração.

De facto, continua a mostrar-se necessário responder ao grave problema de saúde pública que o País enfrenta, nomeadamente por via das medidas de prevenção e do alargamento da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde. Mas impõe-se de igual modo defender intransigentemente os direitos dos trabalhadores, sob forte ofensiva por parte de sectores patronais que, aproveitando a crise, vão procurando transformar a situação numa oportunidade para o agravamento da exploração e acumulação e concentração de capital. A par do combate ao vírus, é, pois, fundamental dinamizar a luta em defesa do emprego com direitos e dos salários.

Mas é também urgente responder à acelerada degradação da situação económica e social, designadamente ao conjunto dos problemas que estão hoje colocados a milhares de micro, pequenos e médios empresários.

Foi este o sentido das preocupações manifestadas pelos diversos participantes – micro, pequenos e médios empresários e seu movimento associativo – na audição promovida pelo PCP no sábado passado, utilizando para isso os meios electrónicos. São dezenas de milhares as empresas que suspenderam a sua actividade, nuns casos, decorrentes das próprias medidas de prevenção e combate ao vírus, noutros, pela quebra de encomendas, pela quebra de fornecimentos de bens e serviços intermédios, ou pela ausência de procura interna ou externa, que requerem medidas que vão muito para lá daquelas, limitadas e insuficientes, que o Governo anunciou.

Mas precisa sobretudo de uma política alternativa, patriótica e de esquerda que dê uma resposta adequada aos problemas dos trabalhadores e do povo e às necessidades de desenvolvimento soberano do País.

Intervindo e lutando por estes objectivos, o PCP assume esta semana novas tomadas de posição pelo reforço do Serviço Nacional de Saúde e em defesa e pelo fortalecimento do sistema público de Segurança Social, universal e gratuito, cuja fragilização é preciso a todo o custo impedir.

Do mesmo modo, o PCP continua a intervir junto dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho, denunciando os ataques aos seus direitos, estimulando a sua luta, e avançando nomeadamente no plano legislativo com propostas e soluções para os seus problemas.

Foi neste sentido que o PCP, no Parlamento Europeu, e particularmente na Assembleia da República, apresentou dezenas de iniciativas legislativas em defesa dos trabalhadores, do povo e do País.

Assumindo assim a sua forma ímpar de estar na vida política, o PCP participa também na preparação das comemorações dos 46 anos da Revolução de Abril, que este ano, tendo presentes os condicionamentos decorrentes da COVID-19, assumirá formas de organização específicas.

É neste quadro que se desenvolve a acção de reforço do Partido, nomeadamente com a concretização da campanha nacional de fundos «o futuro tem Partido». Reforço em que se inseriu a acção dos 5 mil contactos com trabalhadores que o Partido concluiu, com êxito, esta semana, passando a contar com um conhecimento mais amplo da situação nas diferentes empresas e locais de trabalho, com mais militantes e uma mais forte organização nas empresas e, por consequência, com melhores condições para intervir e lutar.

No âmbito desta acção, concretizaram-se 5074 contactos, dos quais resultou o recrutamento de 1350 novos militantes. É, de facto, um saldo amplamente positivo integrado no reforço mais geral da organização, intervenção e influência do Partido decidida pelo XX Congresso e concretizada na resolução do Comité Central sobre o reforço do Partido «Por um Partido mais forte e influente», de Janeiro de 2018.

Finalizada a acção, o Partido tem mais militantes nas empresas, ficando assim mais capacitado para cumprir o seu papel junto dos trabalhadores, contribuindo decisivamente para os esclarecer, organizar e mobilizar, promovendo a sua unidade e luta.

No momento em que, a propósito das comemorações do centenário do Partido, está lançado o desafio de constituir uma centena de novas células em empresas, sectores e locais de trabalho e de responsabilizar outros tantos quadros pelo seu acompanhamento, o muito que se alcançou na acção dos 5000 contactos assume assim uma enorme importância.

Continuando a assegurar o seu funcionamento, a tomar iniciativa, a dinamizar o seu reforço, o PCP assume-se como a mais sólida garantia com que a juventude, os trabalhadores e o povo português podem contar na defesa dos seus interesses, na luta em defesa dos seus direitos e pela concretização das suas mais profundas aspirações.



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