1845 – A «Grande Fome» na Irlanda

A cultura da batata, introduzida na Irlanda com grande sucesso nos finais do séc. XVI, era em meados do séc. XIX a base alimentar de três milhões de camponeses, quase um terço da população, à época estimada em 8,5 milhões de pessoas. Estimulada pelos grandes proprietários, os landlords ingleses, a cultura intensiva permitiu uma relativa prosperidade, já que os camponeses, rendeiros das terras, puderam alimentar as suas famílias. Em Setembro de 1845, no entanto, surgem os primeiros casos de míldio (Phytophthora infestans), crê-se que levado pelos navios da América do Norte. O fungo que provoca a doença do tubérculo, aliado a condições meteorológicas adversas e ao liberalismo reinante na Grã-Bretanha, defensor do livre mercado e contrário à intervenção do Estado, deu origem à catástrofe registada entre 1845 e 1849: um milhão de mortos, cerca de dois milhões de refugiados e outros tantos emigrantes. Dois terços das vítimas morreram de fome e as restantes de cólera e de tifo; as crianças foram ceifadas sobretudo pela tuberculose e pela escarlatina. A tragédia não parou o capital; os portos continuaram abertos para exportar alimentos enquanto o povo morria de fome, e os landlords ganharam com a miséria dos pobres: em 1870 detinham 80% das terras agrícolas.

 


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