Algarve a produzir

Na intervenção de encerramento, Jerónimo de Sousa voltou a defender que «a travagem da especulação sobre a dívida pública exige uma mudança de orientação das políticas que estão em curso na União Europeia e no Banco Central Europeu». O Secretário-geral do PCP reafirmou que o País «tem muitos recursos e potencialidades para promover o seu desenvolvimento e que «é preciso tirar partido de todos esses recursos para pôr Portugal a produzir com outras orientações».

As propostas inscritas na Resolução Política da Assembleia «são a prova de que esta região não está condenada ao afunilamento do seu desenvolvimento para um único sector que, por mais importante que seja - e é -, só por si é incapaz de garantir condições de vida digna às populações desta região, resguardar ou salvaguardar mais as populações face às crises e assegurar de forma sustentada o seu futuro».

Jerónimo de Sousa chamou a atenção para uma série delas, relativas à agricultura e à agro-indústria, às pescas e actividades do mar. «No quadro do aproveitamento e valorização dos recursos naturais nacionais em território nacional, postos ao serviço da produção nacional e da riqueza por esta criada, a região do Algarve encerra também potencialidades que urge recordar e actualizar», merecendo a actividade extractiva particular atenção:

«Actividades tradicionais, como a exploração de pedreiras de sienito nefelínico na Serra de Monchique, minério que tem sido explorado enquanto rocha ornamental e relativamente ao qual se deverá continuar no caminho da crescente valorização em solo nacional, valorizando assim as exportações. Uma actividade que deveria ser mais apoiada, nomeadamente no domínio da formação profissional, da contratação de mais técnicos e da exportação.

«Na exploração das enormes reservas de sienito, enquanto rocha ornamental, dever-se-á ter em conta, com vista a acautelar o futuro, o facto de este minério ser, no fundamental, um valioso minério de alumínio.

«De destacar também as enormes reservas de sal-gema de elevada qualidade da mina de Loulé, importante rocha industrial que é utilizada como matéria-prima, designadamente para as indústrias químicas de clorados e sodados. Esta mina constitui uma riqueza de grande interesse, que permite abastecer internamente o rearranque e a dinamização dessas e de outras indústrias químicas, que necessitem dos elementos cloro e sódio para o seu desenvolvimento.

«Finalmente, julgamos muito importante destacar aqui a existência dos vastos recursos de gás natural de grande qualidade, descobertos e confirmados no off-shore algarvio, a cerca de 40 km da costa do Sotavento e que são várias vezes superiores às reservas, já em fase de exploração, existentes no Golfo de Cádiz. Esta reserva de gás natural, segundo estimativas prudentes, tem capacidade para abastecer o País, pelo menos, durante 15 anos» e, «face aos enormes défices da nossa balança de mercadorias, nomeadamente na sua vertente energética, a exploração deste potencial deveria arrancar quanto antes, tendo naturalmente em atenção a renegociação dos contratos de fornecimento de gás natural da Argélia e do GPL da Nigéria».



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