RFA recrutou Klaus Barbie

O antigo chefe da Gestapo em Lyon, Klaus Barbie, após a Segunda Guerra Mundial tornou-se colaborador dos serviços secretos (BND) da República Federal Alemã, de acordo com o semanário Der Spiegel (17.01).

O «carniceiro de Lyon», que em 1987 foi condenado a prisão perpétua em França por crimes durante a ocupação nazi, foi recrutado pelo BND no início de 1966, quando vivia clandestinamente na Bolívia sob o pseudónimo de Klaus Altmann.

Descrito pelos serviços como possuidor de «uma mentalidade muito alemã» e um «feroz adversário do comunismo», o verdugo nazi mostrou-se muito activo tendo enviado cerca de 35 relatórios, assinados com o nome de Adler, registado com o número V-43118, relata a mesma fonte, que nada refere sobre o conteúdo das informações.

As remunerações de tais actividades eram depositadas num banco em S. Francisco, nos Estados Unidos. Em simultâneo, Klaus Barbie é colocado à frente da sucursal boliviana de uma empresa com sede em Bona, que vendia material militar excedentário do exército alemão.

Barbie, que terá sido dispensado pelo BND em 1967 por receio de que o seu passado nazi pudesse ser aproveitado por serviços secretos de outros países, beneficiou logo no final da guerra da protecção dos americanos que o consideravam como um bom agente para a luta anticomunista.

Efectivamente, Klaus Barbie foi o carrasco de muitos comunistas que combaterem os nazis em França, tendo torturado até à morte figuras destacadas da resistência como foi o caso de Jean Moulin.



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