Via do Infante

As contas já foram feitas e circulam pelos jornais: as portagens que o Governo quer aplicar à Via do Infante, no Algarve – no quadro da imposição desses pagamentos nas SCUT decididos recentemente pelo Governo de Sócrates –, vão custar um máximo de oito euros ao utilizador que nela viaje. Também já foi apurado que há situações de desigualdade flagrante nesses pagamentos, devido a desacertos entre troços, entradas, saídas e preços.

A generalidade dos autarcas do Algarve está em pé-de-guerra, lançando argumentos de peso: um, que esta auto-estrada está toda paga e até foi comparticipada com dinheiros europeus; outra, que é estratégica para toda a Região do Algarve e, sem ela, volta-se ao inferno da Nacional N.º125, a «Estrada da Morte» como já foi conhecida; outra ainda, que as portagens na Via do Infante vão afectar o turismo e, sobretudo, os turistas estrangeiros, que não levarão a bem tantos pagamentos de portagens numa região que não as tinha. Outra, finalmente, que as verbas obtidas pelas portagens na Via do Infante ficarão muito abaixo dos prejuízos que provocarão às actividades económicas da Região, com relevo para o turismo – sector económico que o Algarve lidera, no todo nacional.

É óbvio que José Sócrates vai de novo engrossar a voz e procurar impor à força mais esta machadada ao desenvolvimento regional e nacional. E irá, na concretização desse objectivo, até onde a firmeza dos protestos dos algarvios o deixar ir...

 

Bolsas

 

É o descalabro à solta, no Ensino superior público: o Ministério dirigido por Mariano Gago não só cortou já milhares de bolsas atribuídas – o que está a levar alunos, em sucessivas centenas, a abandonar os cursos que frequentam – como agora também está a notificar alunos para que devolvam bolsas. Entretanto, milhares de outros universitários vão ver reduzidas as suas bolsas ou, ainda, perdê-las por completo, na esteira de outros milhares já «descapitalizados».

Um país que desinveste assim no ensino é uma vergonha. Tal como é indecoroso, neste quadro, ouvir José Sócrates a ufanar-se das «novas tecnologias» que «tem promovido».

O homem tem, mesmo, é de ser «despromovido».

 

«Comissões»

 

Este actual Governo de José Sócrates – o que, como é dolorosamente público e notório, está a esmifrar os trabalhadores e os desempregados em nome do combate ao défice – criou entretanto, desde que tomou posse em 2009, qualquer coisa como 70 «comissões» e «grupos de trabalho», alguns dos quais se sobrepõem. Só um exemplo: a «internacionalização da agricultura» (seja lá isso o que for...) é tratada em três-comissões-três (ou grupos) diferentes!

Os pormenores são indiciadores dos rios de dinheiro que, necessariamente, estas «comissões» absorvem: nelas estão envolvidas 590 pessoas, a maioria das quais são funcionários públicos, e muitas delas recebem «ajudas de custo» ou «senhas de presença» para as reuniões. É claro que a quase generalidade dos ministros se escusa a dar pormenores sobre os gastos com estas «comissões» (só em cinco despachos são mencionados valores concretos).

Pelos vistos, no Governo de José Sócrates até já se «trabalha à comissão»...



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