Jovens à míngua

A adopção de «cinco medidas» para a «promoção da inserção dos jovens no mercado de trabalho», entre as quais o aumento para 50 mil do número de estágios profissionais remunerados, era o anúncio que o primeiro-ministro tinha guardado para este debate quinzenal.

«Tudo o que for para melhor é bom; o problema – e este é o «conflito permanente» de José Sócrates, frisou Jerónimo de Sousa – é entre «aquilo que anuncia e aquilo que concretiza».

E aludindo à situação em que vivem hoje as jovens gerações, lembrou que os jovens desempregados – mais de cem mil – correspondem a cerca de 23 por cento do desemprego, sendo a taxa de desemprego nos licenciados de 8,2 por cento. Acresce a questão da precariedade que abrange cerca de um milhão e duzentos mil trabalhadores, na sua maioria jovens, recordou o dirigente comunista, que chamou ainda a atenção para o facto de serem os jovens os primeiros a ser despedidos, o que acontece «ao mínimo sobressalto ou dificuldade».

Por isso, avaliando as medidas agora anunciadas, não teve dúvidas em as considerar «parcelares», fazendo notar, mesmo admitindo o seu «carácter positivo», que persiste um problema por resolver: é que estes trabalhadores, apoiados com dinheiro da Segurança Social, são aproveitados pelas empresas apenas enquanto a estas isso interessa, porque, logo a seguir, são despedidos.

José Sócrates, na resposta, não pôde deixar de reconhecer que este é «um problema muito sério na sociedade portuguesa», mas, logo a seguir, procurando livrar-se de responsabilidades próprias pela dramática situação presente, logo tratou de dizer que este não é um exclusivo nacional e que o «desemprego nos jovens licenciados é um grave problema social, em particular nas economias mais desenvolvidas».

E nem o álibi externo faltou. «Parece que não houve crise internacional nenhuma», disse o chefe do Governo, o que levou Jerónimo de Sousa, na réplica, a lembrar-lhe que «a crise do capitalismo tem uma dimensão planetária» mas o grande problema – e é esse que o Governo escamoteia – é que em Portugal a situação é mais grave, tendo em conta o grau de destruição do nosso aparelho produtivo e da produção nacional, com reflexos na questão de fundo que é o desemprego».

 



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