Lucros obscenos não incomodam Governo
Jerónimo de Sousa no debate quinzenal ataca política de direita
Os intocáveis lucros do capital

A redução do défice em Janeiro foi obtida à custa da imposição de sacrifícios e restrições aos mesmos de sempre, enquanto os lucros dos grandes grupos económicos e financeiros permanecem intocáveis, acusa o PCP, vendo nesta dualidade a verdadeira marca da política de direita do Governo PS.

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«Foi no corte dos salários, no congelamento das pensões e reformas, no aumento dos impostos, nos cortes nos abonos de família e nos apoios sociais, foi aí que o Governo conseguiu essa redução», afirmou o Secretário-geral do PCP, depois de desafiar o primeiro-ministro no debate quinzenal de sexta-feira passada a esclarecer «à custa de quê e de quem» tinham sido alcançados os dados por aquele antes tão elogiados relativos à execução orçamental e à redução do défice.

Este foi um dos temas que acabou por dominar o debate, com Jerónimo de Sousa a lembrar que desde o início do ano o corte nas comparticipações na saúde atingiu os 30 milhões de euros, enquanto nas despesas com pessoal se verificou uma redução de 8,2 por cento, redução essa que foi de 16,8 no abono de família, de 6,6 por cento no subsídio de desemprego e de 23,9 por cento no rendimento social de inserção.

Números e percentagens que ganham uma outra grandeza quando comparados com os lucros fabulosos que entretanto continuam a ser obtidos pelo capital financeiro e por grandes empresas, pondo em evidência, nomeadamente, aquilo a que Jerónimo de Sousa classificou de «dependência» e de «silenciamento» do primeiro-ministro e do Governo face «aos lucros escandalosos» do poder económico.

Lucros que apelidou mesmo de «obscenos», tendo em conta as dificuldades que estão a ser exigidas ao povo, considerando-os «uma ofensa a quem vive apenas do seu trabalho, da sua pensão e da sua reforma».

E tudo perante o silêncio de José Sócrates, a quem acusou de assumir esta postura «por falta de coragem para desafiar esse poder económico, que não pára de ver crescer os seus dividendos».

Passando ao lado do essencial da questão, o chefe do Governo, na resposta, ficou-se pela repetição de generalidades. Como a de que a «execução orçamental é decisiva para a nossa política económica e para defender o emprego», enquanto «a redução do défice é fundamental para promover e defender o País, para o financiamento da economia e para promover o crescimento económico».

E disse que não está a «fazer maldades» mas a «fazer bem ao País» e que as medidas por si tomadas são para «defender os salários, o emprego e o crescimento».

Asseverou ainda ter feito uma «distribuição equitativa dos encargos e dos esforços», dando como exemplo a redução dos salários acima de 1500 euros na administração pública, que apresentou como «uma medida de justiça».

Não deixando de assinalar que algumas medidas do Governo atingem, hoje, com efeito, «classes médias», o dirigente do PCP, na réplica, pôs no entanto o dedo na ferida ao sublinhar que – e esta é a questão de fundo –, sendo isso verdade, não o é menos o facto de o Governo ter deixado «sempre intocável quem mais tem e quem mais pode, e isso marca a natureza desta política».



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