Médio Oriente livre de armas de destruição massiva
EUA e Israel contra conferência

Os EUA ditaram o adiamento da conferência sobre não proliferação nuclear no Médio Oriente, argumentando, segundo a AP, que o momento não é propício a uma discussão abrangente sobre a imposição da região como território livre de armas de destruição massiva, como é, aliás, solicitado pela esmagadora maioria das nações.

De acordo com Vitória Nucland, porta-voz do departamento de Estado norte-americano, outro obstáculo à concretização da iniciativa prevista para Dezembro, na Finlândia, é a ausência de consenso, entre os países da região, sobre as condições aceitáveis para o debate sobre a matéria, disse, sem no entanto precisar de imediato quem obstaculiza a reunião.

Nucland afirmou, depois, que a Israel não pode ser «sujeito a pressão ou isolamento» e que, se for esse o contexto, os EUA «não podem apoiar uma tal conferência», revelando, com esta declaração, que o que está em causa é a protecção de Washington a um país cujo arsenal nuclear, não sendo admitido e muito menos conhecido pelos vizinhos, é o único existente no Médio Oriente.

Ao contrário de Israel e da sua política de opacidade nuclear, como referiu a Europa Press, o Irão é subscritor do Tratado de Não-Proliferação (TNP). Não obstante, tem sido o governo de Teerão a sofrer pressões para que revele os fins do seu programa nuclear, o que, em rigor, tem feito junto da Agência Internacional de Energia Atómica.

O Irão manifestou-se contra o adiamento da conferência e acusou os EUA de sequestrarem o debate e violarem o TNP. O embaixador iraniano na AIEA, Asghar Soltanieh, sublinhou ainda que o último relatório da organização e o seu director-geral, Yukiya Amano, confirmaram, já este mês, os objectivos pacíficos do programa do país.

Soltanieh constatou, por isso, que não só não faz sentido acusar o Irão de ser um obstáculo à imposição do Médio Oriente como região livre de armas nucleares, como é despropositado manter as sanções impostas ao país pelos EUA e UE, as quais, além de tudo, só têm dificultado o acesso do povo iraniano a tratamentos oncológicos de ponta.



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