• Ângelo Alves

A guerra na Síria foi e é uma guerra imperialista dirigida pela NATO
Médio Oriente – O puzzle

A agressão turca contra a República Árabe Síria (RAS) constitui um grave desenvolvimento na guerra de agressão contra aquele País e pode aumentar ainda mais a pressão no já de si explosivo caldeirão do Médio Oriente.

Para compreender o que se está a passar é importante recordar que para levar a cabo a sua guerra de agressão e de tentativa de balcanização da Síria as potências da NATO (Turquia incluída) e os seus aliados regionais usaram vários grupos terroristas que foram por si criados, financiados, treinados, protegidos e dirigidos (como é o caso do ISIS e de outros grupo terroristas), bem como vários grupos armados regionais, como é o caso das FDY, uma facção armada curda ligada ao PKK.

A guerra na Síria foi e é uma guerra imperialista dirigida pela NATO, e todos os que nela se envolveram estiveram conscientemente ao serviço dos interesses imperialistas e são por ela responsáveis. Mas as suas motivações são diversas. Isso é muito visível neste momento.

Os contornos da agressão turca vieram introduzir ainda maior complexidade ao já de si muito complexo puzzle do Médio Oriente. A região vive numa enorme tensão exacerbada pela decisão dos EUA de romper com o chamado «acordo nuclear» com o Irão e levar a cabo uma linha de provocação que está neste momento ao rubro.

É tendo presente este quadro que se deve analisar a agressão turca e a decisão norte-americana de lhe abrir caminho. Contrariamente ao propagandeado, os EUA estão longe de se retirar da Síria, e muito menos do Médio Oriente, e estão interessados numa situação de caos permanente na Síria. Acresce que permanece em território sírio um número indeterminado de forças e agentes norte-americanos e a ofensiva turca contra os curdos é o caldo perfeito para os EUA «reciclarem» e deslocarem os seus «prisioneiros do ISIS» para outras zonas da Síria ou para outras zonas do Médio Oriente, como parece estar já a acontecer.

A estratégia dos EUA é de guerra, que não se tenha dúvidas. O objectivo de derrubar o regime sírio não foi abandonado. O Iraque está a ferro e fogo. À Arábia Saudita acabam de chegar 3000 soldados norte-americanos, e vários meios militares pesados, elevando para 60.000 os militares dos EUA na região. Um Petroleiro iraniano foi atacado com mísseis. É neste contexto que a agressão turca pode encaixar na estratégia do caos, podendo prolongar o conflito e fazer «renascer» o ISIS, na Síria e noutros países do Médio Oriente.

Ao momento em que escrevemos este texto o exército sírio, após acordo com as forças curdas que se viraram agora para Damasco, já controla várias cidades do nordeste do País e várias vias de comunicação. Este é um desenvolvimento positivo. Mas o avanço para norte do exército sírio, apoiado pela aviação russa, significa que pode vir a verificar-se uma situação de enfrentamento directo com a Turquia, um exército membro da NATO, o que envolve novos perigos que só podem ser afastados com o fim da agressão externa e o respeito pela soberania e integridade territorial da Síria.




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