Ataque ao Capitólio, a 6 de Janeiro, «foi um motim, não um golpe»
Reforçar o movimento popular para superar a crise nos EUA

MOTIM As contradições do capitalismo nos EUA, que se avolumaram nas últimas décadas e emergiram com a eleição de Trump, em 2016, tiveram a sua mais evidente expressão no motim de dia 6, em Washington.

Lusa


O ataque ao Capitólio, no dia 6, foi uma «insurreição da supremacia branca» e um acto criminoso de sedição, afirma o Partido Comunista dos Estados Unidos da América (CPUSA) em comunicado de dia 7. Para os comunistas, foi o próprio Trump a organizá-lo, juntamente com outras figuras do seu círculo mais próximo, apoiado pelos seus «patrocinadores do grande capital». O objectivo era interromper a certificação do Colégio Eleitoral pelo Congresso e, assim, anular a eleição de Novembro.

Exigindo uma «investigação completa» ao sucedido, o Partido Comunista considera que a invasão do Capitólio por provocadores armados não surpreende ninguém, dada a prática política de Trump enquanto presidente, fomentando divisões, elogiando grupos neonazis e o Ku Klux Klan, apelando a milícias para «libertarem» as capitais estaduais durante os confinamentos, proferindo «mentiras diárias» acerca da legitimidade das eleições. Surpreendente foi, sim, a facilidade com que estes grupos entraram e a pouca resistência que encontraram no Capitólio.

Os comunistas norte-americanos garantem ser este o momento para chegar aos que, tendo votado em Trump, se questionem relativamente aos tumultos e de expor as redes fascistas, que vão de grupos como o Q-Anon e os Proud Boys aos que se encontram nas grandes empresas, nos departamentos policiais ou no próprio Partido Republicano. Mas mesmo isso «não será suficiente», garante o CPUSA, pois as raízes desta crise são sistémicas e é sobretudo neste campo que é preciso actuar.

Agir na raiz

Também o Conselho da Paz dos EUA reagiu aos acontecimentos, considerando o recente «tumulto de direita em Washington» como uma «manifestação da crise económica e social que se aprofunda»: «Altos níveis de desigualdade social e problemas económicos abarcando a sociedade inteira, para os quais a classe governante norte-americana não tem soluções dentro do quadro da ordem capitalista dominante, resultaram na perda de legitimidade do Estado e suas instituições».

«Foi um motim, não um golpe», conclui, lembrando que a maioria da classe dirigente norte-americana não teve qualquer problema com a eleição de Biden, antes pelo contrário.

Alertando para as ameaças que pairam sobre o movimento popular com o aumento da repressão, o Conselho da Paz afirma que «a era da esperança pelas reformas desde cima acabou» e que é necessário «um movimento de base e de massas unificado». Para tal, é preciso «aglutinar todos os contingentes do movimento popular – sindicais, por justiça social, direitos civis, direitos humanos, ambiente, paz – sob uma única rede coordenada, com uma agenda clara que lide com as causas na raiz da presente crise, não apenas com seus variados sintomas».




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