Piquenicão do MURPI enche Grândola com cultura, convívio e luta

Cerca de 4000 reformados, pensionistas e idosos participaram, no domingo, dia 22 de Junho, no 28.º Piquenicão Nacional do MURPI, que teve lugar em Grândola, sob o lema «Viver mais e melhor». No dia 3 de Julho, o Parlamento irá debater uma petição que reclama a criação de uma rede pública de lares para idosos.

Carência gritante da rede de equipamentos e de lares


Ao longo de todo o dia, em três palcos espalhados pelo Parque de Feiras e Exposições – «Revolução», «Liberdade» e «25 de Abril» – actuaram 55 grupos de cantares. Através da cultura e do convívio, os participantes reforçaram a importância do envelhecimento com direitos, qualidade de vida e dignidade.

Mensagens como «MURPI, a força das associações de reformados», «Força de Abril, envelhecer com direitos», «Melhores pensões, mais saúde, fruição saudável dos tempos livres» e «Parar a guerra. Dar uma oportunidade à paz» ecoaram por todo o recinto.

«Grândola, vila morena; Terra da fraternidade; O povo é quem mais ordena; Dentro de ti, ó cidade», recordou Isabel Gomes, presidente da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos – MURPI, destacando o simbolismo da vila associada à Revolução de Abril, que este ano acolheu o Piquenicão.

Além de valorizar o direito ao convívio, à alegria, à fruição dos tempos livres e à cultura, a dirigente apontou também a necessidade urgente de uma linha de financiamento nacional para as associações de reformados, destinada à criação de novos grupos culturais e ao apoio à actividade dos já existentes.

Isabel Gomes referiu ainda a análise da Direcção Nacional do MURPI, realizada a 28 de Maio, que confirma uma realidade preocupante: a contínua perda de poder de compra provocada pelos baixos valores das reformas e pensões.

Medidas insuficientes
Sobre as medidas tomadas pelo actual e anteriorExecutivo PSD/CDS, Isabel Gomes esclareceu que «tiveram um muito fraco alcance social e político, num caminho de inversão dos baixos valores das reformas e pensões». Segundo afirmou, «os apoios pontuais e as prestações sociais sujeitas a condições de recurso não elevam os valores das pensões, nem asseguram as actualizações de Janeiro que permitiriam uma efectiva reposição do poder de compra».

Fez ainda referência a uma carta aberta dirigida pelo MURPI à Assembleia da República (AR), onde se reivindica um aumento intercalar das reformas e pensões, que garanta, ainda em 2025, uma subida de 5 por cento, com um mínimo de 70 euros para todos os pensionistas.

Nesse documento sublinha-se também a urgência de defender e reforçar o Serviço Nacional de Saúde, bem como de enfrentar um problema amplamente reconhecido: a carência gritante da rede de equipamentos e de lares.

«São necessárias mais vagas e respostas com qualidade, avaliadas não apenas pela prestação de cuidados básicos – que são essenciais – mas também pelo reforço de equipas técnicas, com competências diversas e adequadamente valorizadas, para responder às necessidades específicas de cada utente», destacou Isabel Gomes.

Recordou ainda que já foi entregue à AR uma petição a exigir a criação de uma Rede Pública de Lares, com mais de 10 mil assinaturas, que será discutida, em plenário, às 15h00, no dia 3 de Julho.

O momento, conduzido por Casimiro Menezes, presidente da Assembleia Geral do MURPI, contou também com intervenções de José Jesus, presidente da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Grândola; de Fátima Luzia, presidente da União de Freguesias de Grândola e Santa Margarida da Serra e candidata da CDU à Câmara Municipal de Grândola (CMG); e de Ricardo Miguel da Costa, vereador da CMG.

Além da Inter-Reformados/CGTP-IN, representada por Arlindo Costa, o Piquenicão contou com a presença de uma delegação do PCP, representada por Fernanda Mateus, da Comissão Política do Comité Central, André Martelo, responsável pela Organização Regional do Litoral Alentejano, e Virgolino Rodrigo, da Direcção da Organização Regional de Setúbal.

 

Segurança Social pública, universal e solidária

Porque «só um sistema público da Segurança Social pode garantir a protecção de qualquer pessoa, desde o seu nascimento até à morte, podendo ser um instrumento de justiça social, de combate à pobreza e às desigualdades sociais», o MURPI reafirma a exigência de uma Segurança Social pública, universal e solidária — uma conquista de Abril consagrada na Constituição da República Portuguesa, pela qual muitos lutaram.

Neste contexto, Isabel Gomes anunciou que a Confederação continuará a sua acção como força agregadora do movimento associativo dos reformados e das aspirações à resolução dos seus problemas concretos.

«Garantir um envelhecimento com qualidade de vida exige vontade política, e não dispensa a participação de todos na defesa dos seus direitos», reiterou a dirigente.

No encerramento, apelou também à mobilização de todos contra a escalada da guerra, a corrida aos armamentos, e pela afirmação da paz.

 



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