«Raça lusitana»?
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, congratulou-se por o ciclista português João Almeida ter obtido uma expressiva vitória na Volta à Suíça em bicicleta.
Fê-lo, no passado 22 de Junho, recorrendo à rede social x, com esta «notável tirada»: «Parabéns, João Almeida, pela vitória na Volta à Suíça em bicicleta! Extraordinária demonstração de capacidade de superação ao vencer o contrarrelógio de hoje e completar uma “remontada” espetacular. Mais um exemplo ao mais alto nível desportivo da raça lusitana e da garra portuguesa!».
Ora, a referência à raça lusitana, para valorizar o feito desportivo de João Almeida, como diz o povo, «não lembra ao diabo». Mas traz à lembrança o tempo da ditadura fascista, quando se usava o conceito de raça, para justificar concepções racistas, colonialistas e xenófobas, chegando-se ao ponto de instituir o Dia da Raça, celebrado a 10 de Junho, num verdadeiro insulto a Camões.
Falar de «raça lusitana», quando se está a referir à competição desportiva, constitui uma dupla ofensa: a João Almeida (e a todos os praticantes das diversas modalidades desportivas) e aos cavalos de Alter do Chão que atingiram renome com esta denominação.
Não, não se trata de raça lusitana. Trata-se, isso sim, de desporto, dedicação, esforço e investimento pessoal, das equipas técnicas e dos clubes, que a política de direita deste e de outros governos nunca estimularam.
«Raça lusitana», «garra portuguesa» para eludir a falta de uma verdadeira política de apoio e incentivo ao desporto?… São tão reaccionários nas suas concepções e projectos, que nem se dão conta do ridículo em que caem com tais afirmações.




