Banco de Portugal deve ser instrumento de soberania
O PCP reagiu, no dia 24, à indigitação do novo governador do Banco de Portugal, cargo que «para além de quem o exerce é inseparável do facto dessa instituição ser no essencial uma mera sucursal do Banco Central Europeu (BCE)».
Submissão às orientações do BCE compromete interesses nacionais
«Sem autonomia face às suas principais determinações», é assim que o Partido, numa nota emitida pelo seu Gabinete de Imprensa, classifica a situação de dependência do Banco de Portugal para com os ditames da União Europeia. Seja na relação que este tem com a banca, com cada vez menos poderes devido ao aprofundamento da União Bancária, ou na política monetária associada ao euro, completamente determinada pelos interesses das grandes potências, esta posição submissa é inseparável de qualquer juízo político sobre o titular do cargo de governador do Banco de Portugal.
Subordinação esta, recorda o PCP, que ficou «particularmente evidente durante o actual mandato», com o aumento de taxas de juro, decididas pelo BCE, e com «consequências pesadíssimas sobre o orçamento das famílias portuguesas». «Ficou evidente como as decisões feitas em Frankfurt não tiveram em conta a realidade nacional, muito mais afectada pelos aumentos dos juros do que noutros países do centro da Europa – devido à maior percentagem de contratos em taxa variável –, sem que se tenha ouvido uma palavra do actual governador com a preocupação sobre o impacto dessas decisões no nosso País», lê-se.
Inacção perante dificuldades dos portugueses
Fica ainda evidente neste último mandato, acrescenta o PCP, a «total inacção do supervisor face aos aumentos escandalosos dos lucros da banca, que continuará a cobrar elevadas comissões bancárias aos clientes, ao mesmo tempo que ganha muito no crédito à habitação e que paga pouco nos depósitos a prazo».
O Partido recorda que durante este último mandato, os cinco maiores bancos portugueses lucraram mais de 14 mil milhões de euros às custas dos portugueses, com o recorde histórico de lucros a ser batido em 2024, sem que se conheça uma intervenção do Banco de Portugal em defesa dos consumidores. «Antes pelo contrário», critica, «sempre procurou legitimar este autêntico assalto aos bolsos dos portugueses».
Assim, no quadro que se apresenta, para o PCP, para além da avaliação negativa que tece sobre este último mandato, a indicação, por parte do Governo, de Álvaro Santos Pereira não indicia, pelo seu próprio percurso, qualquer caminho de ruptura com as opções de favorecimento da banca, nem com as submissões às orientações do BCE.
Economista de profissão, recorde-se que Santos Pereira, entre outros elementos, foi ministro da Economia do Governo de PSD, entre 2011 e 2013.




