Palestiniano sem visto para estudar em Lisboa
Tarek Al-Farra, jovem palestiniano de 23 anos residente em Khan Younis, Faixa de Gaza, não consegue visto para estudar em Portugal, apesar de já estar inscrito num mestrado em Estudos Ingleses e Norte-Americanos na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (AEFCSH) da Universidade Nova de Lisboa, denunciou, no dia 30, a associação de estudantes da instituição (AEFCSH).
A AEFCSH avançou que a inscrição já está concluída, e que o jovem (que utiliza frequentemente as suas redes sociais para denunciar o genocídio em curso e explicar as dificuldades sentidas pela população em Gaza), inclusive, já está com as propinas em dia. Falta-lhe apenas o visto: «O escritório da representação portuguesa em Gaza fechou devido à agressão israelita sobre o povo palestiniano, e, por isso, a embaixada portuguesa mais próxima do jovem é em Ramallah, na Cisjordânia, região inacessível», explicou a associação.
A AEFCSH falou directamente com Tarek e transmitiu as suas palavras: «Este mestrado é como uma nova vida e uma grande oportunidade para mim, para que eu possa sobreviver a este pesadelo». Além disso, o jovem agradeceu a atitude solidária: «Fico muito agradecido e contente pelas vossas iniciativas em relação à Palestina».
«Ao Governo português, cuja cumplicidade perante o genocídio que ocorre em Gaza trespassa em toda a sua acção […], exige-se que seja resolvido este processo», assinalou a AEFCSH.
A AEFCSH informou que a situação já foi comunicada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (que, de acordo com notícias de dia 1, ainda não conseguiu oferecer uma solução adequada), bem como à direcção da FCSH e à reitoria da Universidade Nova.
Expressões de solidariedade
A solidariedade com o povo palestiniano encontra diversas expressões, de que são exemplo uma carta aberta de 85 trabalhadores e estudantes da Escola Superior de Educação, Setúbal, contra a situação «insustentável» na Palestina, ou um recente voto de solidariedade por parte da Câmara de Lisboa (apresentado pelo PCP, aprovado com votos contra de PSD e CDS), que impõe o apagamento diário das luzes no Castelo de S. Jorge até nova reunião do executivo.
Também recentemente juntaram as suas vozes a CNA (repudiando um ataque israelita, a 31 de Julho, a um banco de sementes na Cisjordânia) e o MPPM (criticando a participação da equipa “Israel/Pro Tech” na Volta a Portugal em Bicicleta).




