EUA aumentam presença militar nas Caraíbas

Os EUA estão a reforçar os seus meios militares nas Caraíbas a pretexto do “combate ao narcotráfico”. Diversos líderes e forças latino-americanas alertam para a possibilidade de novas provocações, incluindo para a ameaça de uma intervenção militar nesta região, nomeadamente contra a República Bolivariana da Venezuela.

Alegado combate dos EUA contra cartéis da droga serve de pretexto para o aumento da presença militar norte-americana nas Caraíbas

O «Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas» expressou, em Nova Iorque, no dia 16, a sua preocupação e a categórica rejeição das recentes acções hostis dos EUA contra a República Bolivariana da Venezuela. Este conjunto de países repudiou as tentativas dos EUA de fabricar pretextos para promover uma mudança de regime na Venezuela, assente numa campanha de desprestígio contra o Presidente Nicolás Maduro, e perturbar a paz e o desenvolvimento económico deste país sul-americano.

O grupo reconheceu os esforços da Venezuela na luta contra o tráfico de drogas, que cumpre as suas obrigações nacionais e internacionais – citando, a propósito, o mais recente relatório do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (ONUDD), que revela que a Venezuela é um território livre de cultivos ilícitos e processamento de cocaína.

Estes países condenaram as intenções da administração Trump de intensificar acções militares na América Latina utilizando – como o fez nos anos 80 na Nicarágua e no Panamá – a luta contra o narcotráfico como fachada para intervenções militares. Neste sentido, alertaram para os riscos potenciais de converter a América Latina e as Caraíbas num novo campo de confrontação militar, o que seria contrário aos desejos dos seus povos e ameaçaria a proclamação da região como “Zona de Paz”.

Recorde-se que em Fevereiro, o presidente Trump incluiu grupos ligados ao narcotráfico na sua lista unilateral de organizações terroristas. Posteriormente, deu autorização para a utilização de operações militares em países terceiros a pretexto do alegado “combate ao narcotráfico” e, de forma provocatória, anunciava o aumento da compensação financeira para 50 milhões de dólares a quem desse informações que levassem à detenção do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Desestabilizar a América Latina
Esta tomada de posição coincide com as notícias de que os EUA enviaram nas últimas semanas mais navios de guerra, incluindo o grupo do porta-aviões Iwo Jima, e quatro mil fuzileiros navais adicionais para o mar das Caraíbas. Foram também colocados à disposição do Comando Sul norte-americano um submarino de ataque, com propulsão nuclear, mais aviões de reconhecimento, vários contratorpedeiros e um cruzador lança-mísseis guiados. Segundo a imprensa norte-americana, esta demonstração de força proporcionará aos EUA uma «ampla gama de opções militares».

Na organização das forças armadas dos EUA, o Comando Sul abarca 31 países da América Latina e das Caraíbas, excluindo o México, região que integra o Comando Norte.

Venezuela denuncia reais intenções dos EUA
Responsáveis venezuelanos denunciaram as intenções dos EUA que se escondem por detrás do alegado combate os cartéis, ou seja, a desestabilização de toda a região da América Latina e Caraíbas.

O ministro da Defesa, Vladimir Padriño López, recordou que as maiores agressões imperialistas são precedidas pela preparação da opinião pública internacional, a partir da manipulação e de “factos” infundados, em que prevalece a mentira.

Padriño López questionou ainda por que razão os EUA anunciaram um destacamento no Mar das Caraíbas para combater os cartéis e não no Pacífico, onde a maior parte da droga com destino aos EUA é traficada: será que o problema são as Caraíbas ou o verdadeiro problema é a Venezuela?

Para o ministro da Defesa venezuelano, trata-se de uma estratégia para impor falsidades: «é uma batalha entre a verdade e a mentira, mas o aparato mediático do imperialismo é tão vasto que consegue apresentar a mentira como se de “verdade” se tratasse.»

Como resposta às acções hostis dos EUA, as autoridades venezuelanas colocaram meios militares no mar territorial da Venezuela.

 



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