Persistir na luta pela Paz

Pedro Guerreiro

A guerra na Ucrânia é expressão da política de confrontação dos EUA, NATO e UE

As iniciativas diplomáticas que estão em curso em torno da guerra que se trava na Ucrânia vieram, uma vez mais, evidenciar que, embora apresentada como sendo entre a Rússia e a Ucrânia, esta guerra é, de facto, expressão da política de confrontação dos EUA, da NATO e da UE visando a Rússia, em que a Ucrânia e o poder xenófobo e belicista nela instalado com o golpe de Estado de 2014 são usados como meros instrumentos dessa política belicista. Não obstante, conjunturalmente, os EUA dêem sinais de estarem interessados em pôr fim às operações militares, ao mesmo tempo não só não têm contrariado os que, tendo (como eles) instigado o inicio da guerra (isto é, as restantes potências da NATO e a UE), tudo continuam a fazer para o seu prolongamento, seja no imediato ou após um período de aparente “estagnação”, à semelhança do que se verificou após os Acordos de Minsk, em 2014/15. A almejada “divisão de tarefas” no âmbito da NATO, entre os EUA e as potências europeias, e a promessa por parte destas e da UE de comprarem armamento norte-americano no valor de centenas de milhares de milhões – parte dos quais para fazer a guerra na Ucrânia – não serão alheias a este ziguezaguear da Administração norte-americana.

As intenções das potências europeias da NATO e da UE não podiam ser mais claras. Se possível: ganhar tempo, nomeadamente com a paragem momentânea da guerra; fornecer armamento ainda mais sofisticado à Ucrânia; instalar (de forma significativa) tropas e meios militares de países que integram a NATO naquele país; aprofundar a inserção da Ucrânia na NATO, mesmo que não formalmente, mas aplicando na prática todas as cláusulas deste bloco político-militar belicista, incluindo a possibilidade da activação do seu artigo 5.º; e urdir as condições (como se verificou com a eleição de Biden nos EUA, em 2021) que possam, num futuro próximo e eventualmente, levar de novo ao reactivar e exacerbar da guerra – continuando, no fundo, a insistir no principal factor que esteve na origem do conflito (em 2014) e do seu agravamento (em 2022), ou seja, a inserção e utilização da Ucrânia como instrumento da estratégia de cerco e confrontação contra a Rússia.

Saliente-se ainda que as iniciativas diplomáticas norte-americanas relativamente às suas relações bilaterais com a Rússia – incluindo o conflito que os EUA instigaram e em que crescentemente se envolveram na Ucrânia –, não são seguidas de iniciativas similares no âmbito da sua política externa – caracterizada pela ingerência, o militarismo, a guerra – relativamente a outras graves situações que se verificam no mundo. Veja-se: o seu apoio à política belicista e colonialista de Israel no Médio Oriente, nomeadamente ao genocídio do povo palestiniano; a imposição de bloqueios económicos, a Cuba e a outros países; as provocações na América Latina e Caraíbas, nomeadamente à Venezuela; as suas manobras na Ásia Pacífico, visando os países da região, particularmente, a China; entre outros exemplos de desrespeito dos direitos e da soberania dos povos.

Por tudo isto, assumem grande importância as iniciativas e esforços diplomáticos sérios que contribuam para o diálogo com vista a uma solução política para o conflito que se trava na Ucrânia, que dê resposta às suas causas de fundo, garanta a segurança colectiva e o desarmamento na Europa e os princípios da Carta da ONU e da Acta Final da Conferência de Helsínquia.

 



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