Reforçar a solidariedade face à política genocida de Israel

Israel continua a preparar a ocupação da cidade de Gaza, forçando a deslocação de 900 mil pessoas para o sul do território. A fome causada pelo criminoso bloqueio israelita alastra e provoca já um elevado número de mortes.

Agressão israelita contra a população palestiniana na Faixa de Gaza já provocou mais de 63 mil mortos e 160 mil feridos

Lusa

Tropas israelitas intensificaram nos últimos dias os ataques contra a cidade de Gaza, como parte dos preparativos para reocupar a área, segundo um plano aprovado pelo governo de Netanyahu. As forças de ocupação lançaram vários ataques contra os bairro de Sabra e de Sheikh Radwan, deslocaram soldados para a zona de Zeitoun e continuaram a demolição de edifícios em Jabalia al-Nazla. Um porta-voz da Defesa Civil de Gaza indicou que, desde 6 de Agosto, as forças ocupantes destruíram mais de 1500 edifícios só em Zeitoun.

Em princípios de Agosto, Israel aprovou um plano para colonizar a Faixa de Gaza em várias fases, a primeira das quais já começou, não obstante a rejeição internacional.

As Nações Unidas denunciam que as forças militares israelitas vão forçar a deslocação de mais de 900 mil palestinianos para o sul da Faixa de Gaza, numa nova etapa da guerra genocida e da expulsão do povo palestiniano da sua terra levada a cabo impunemente por Israel, com o apoio dos EUA e da UE.

Fim à utilização da fome como forma de agressão

14 dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU convergiram numa declaração que apoia o relatório que reitera a existência de fome na Faixa de Gaza, exigindo que Israel ponha fim imediato a esta situação. Os EUA distanciaram-se desta declaração.

Estes países recomendaram que se actue sem demoras, advertindo que a crise alimentar se agrava rapidamente em resultado do bloqueio de alimentos, medicamentos e produtos básicos imposto por Israel à Faixa de Gaza, além dos seus continuados ataques militares que já provocaram quase 63 mil mortos e 160 mil feridos, num total de cerca de 223 mil vítimas, das quais muitas dezenas de milhares são crianças.

A declaração foi apoiada por Argélia, China, Dinamarca, França, Grécia, Guiana, Paquistão, Panamá, República da Coreia, Rússia, Serra Leoa, Eslovénia, Somália e Reino Unido, que exigiram um cessar-fogo imediato e permanente e que Israel cumpra a sua obrigação de permitir a entrada de ajuda humanitária, abra todas as passagens fronteiriças terrestres e crie condições para que a ONU distribua a ajuda com plena segurança.

EUA impedem presença da Palestina na ONU

O governo dos EUA cancelou os vistos de entrada de representantes da Organização para a Libertação da Palestina e da Autoridade Palestinina, entre os quais o seu presidente, Mahmud Abbas, procurando impedir que estes participem nos trabalhos da próxima Assembleia Geral da ONU, que se realiza durante este mês de Setembro, em Nova Iorque. Por cá, o PCP questionou o Governo acerca disto, nomeadamente quanto ao que este pretende fazer para que se garanta «o imediato acesso e a plena participação dos representantes» da Palestina na Assembleia Geral.

O 80.º período de sessões da Assembleia Geral da ONU terá a sua sessão de alto nível, com a participação de chefes de Estado e de governo, entre 23 e 29 de Setembro, sob o lema «Juntas e juntos somos melhores: 80 anos e mais pela paz, o desenvolvimento e os direitos humanos».

Estas restrições configuram um reforço das medidas coercivas impostas pelos EUA a representantes palestinianos, em finais de Julho, entre outras medidas que visam também “castigar” peritos das Nações Unidas que têm investigado e denunciado crimes cometidos por Israel contra o povo palestiniano.

O reforço da solidariedade com o povo palestiniano volta a ser decisivo para travar o genocídio e abrir caminho ao cumprimento dos seus direitos nacionais, com o seu Estado próprio – soberano, independente e viável – nas fronteiras anteriores a Junho de 1967, capital em Jerusalém Leste e o direito ao regresso dos refugiados, como se encontra consagrado em sucessivas resoluções das Nações Unidas. Em Portugal já há acções marcadas (ver página 32).

 

Ataque israelita mata membros do governo no Iémen

O movimento Ansar Allah, do Iémen, anunciou que o primeiro-ministro do seu governo, Ahmed Ghaleb al-Rahawi, assim como vários ministros e outros responsáveis iemenitas foram assassinados durante os ataques aéreos israelitas de 28 de Agosto.

As autoridades em Saná anunciaram, entretanto, que Mohammed Ahmed Miftah, até agora vice-primeiro-ministro, foi nomeado para chefiar o governo. Os ieminitas afirmaram que o ataque israelita não debilitará a resistência e, ao contrário, fortalecerá a sua determinação em lutar.

Neste ataque, além de terem atingido o palácio presidencial, os israelitas bombardearam depósitos de combustível e centrais eléctricas.

Os hutís, controlam desde 2014 amplas áreas do Iémen, incluindo a capital, depois de se rebelarem contra o governo apoiado pela Arábia Saudita e EUA.

Em Novembro de 2023 começaram a atacar navios que se dirijam para Israel através do Mar Vermelho, em solidariedade com a luta do povo palestiniano contra a política genocida, de ocupação e colonização levada a cabo pelo regime sionista de Israel.

 



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