O assalto às pensões e depósitos
Em finais de 2024, aquando da indigitação dos comissários, na carta de missão dirigida por Ursula Von Der Leyen à antiga ministra das finanças de Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, uma das suas principiais missões era a da criação da chamada União das Poupanças e Investimentos (UPI). De acordo com a presidente da Comissão, este passo no aprofundamento da integração capitalista iria desbloquear investimento privado substancial. Para isso, seria necessário, por exemplo, ajudar as pessoas a poupar melhor, estimular regimes privados e profissionais de pensões, nomeadamente através do aprofundamento daquilo a que chamam um produto pan-europeu de pensões. Com estas medidas o objectivo era que esses montantes pudessem depois ser utilizados para “financiar a economia” e dar suporte aos objectivos estratégicos da UE.
Trocando por miúdos, a intenção por detrás das estudadas palavras é a de colocar as poupanças de cada um e o dinheiro das suas pensões a financiar a guerra, a corrida aos armamentos e a chamada competitividade, isto é, a transferência de mais e mais milhões de euros para os grandes grupos económicos.
Foi com este objectivo que Maria Luís Albuquerque apresentou, na passada semana, o primeiro pacote de medidas para a concretização da UPI.
A eventual criação desta “união” constitui um passo mais no aprofundamento do federalismo e um passo em frente no processo de integração capitalista. Tendo enfrentado dificuldades no aprofundamento da chamada “União dos Mercados de Capitais”, a Comissão Europeia tenta, agora, aproveitar o balanço da política dos “inimigos externos” para, recauchutando objectivos antigos e incluindo novos objectivos, conseguir avançar naquilo que, até agora, não tinha conseguido avançar à velocidade que almejava.
Não deixa de ser um tanto ou quanto caricata a forma como parece querer reunir o consenso. Não se ficando apenas pelos chamados mercados financeiros, pelas bolsas de valores, mas colocando um novo elemento de ataque, as poupanças dos trabalhadores e das suas famílias e as merecidas pensões após anos de trabalho.
Aqueles a quem esta Comissão serve e cujos interesses defende com unhas e dentes, os grandes grupos económicos e os monopólios, só podem estar satisfeitos com estes passos e certamente irão recompensar devidamente quem os impulsa. Os anos passam, as funções alteram-se, mas Maria Luís Albuquerque não deixa de defender os mesmos interesses que defendeu no período da troika e do pacto de agressão.
O mesmo nível de coerência poderão esperar do PCP. Coerência a dar o mais firme e decisivo combate a estas políticas, na defesa de quem trabalhou uma vida inteira. Na defesa das suas poupanças e pensões. Na defesa intransigente da Segurança Social pública, universal e solidária.
Agora pergunto: De que lado estará o Governo português?




