Crise económica e social em França
Agrava-se a crise económica e social em França em resultado das políticas neoliberais e belicistas que promovem a exploração e as desigualdades, concentram a riqueza e aumentam as despesas militares. O primeiro-ministro demitiu-se e os comunistas propõem a formação de um executivo que realize uma política de esquerda.
Para um governo de esquerda, a prioridade seria «a justiça fiscal e social»
Alegando não ter condições para governar, Sébastien Lecornu, o primeiro-ministro francês, demitiu-se na segunda-feira, 6, dias depois de muitos milhares de pessoas terem voltado a manifestar-se nas ruas de Paris e de outras cidades francesas contra as políticas neoliberais dos sucessivos governos sob a tutela do Presidente Emmanuel Macron. Lecornu, nomeado a 9 de Setembro pelo presidente Macron, esteve em funções apenas 27 dias, tendo substituído no cargo François Bayrou, afastado depois da Assembleia Nacional Francesa ter chumbado uma moção de confiança. Bayrou, por sua vez, tinha substituído Michel Barnier, derrubado em Dezembro após uma moção de censura adoptada no parlamento francês.
Com o agravamento da crise económica e social em resultado das políticas neoliberais e belicistas, as forças políticas francesas propõem diferentes caminhos, que vão desde a convocação de eleições legislativas até à renúncia de Macron, passando pela formação de um governo que adopte uma política de esquerda.
O secretário nacional do Partido Comunista Francês (PCF), Fabien Roussel, declarou ao Journal Ouest-France que deve ser nomeado um governo que pratique uma política de esquerda. «Espero que o presidente da República, grande responsável pela grave crise que atravessamos neste momento, opte enfim por essa possibilidade. Com um chefe do governo e novos ministros que não tenhamos visto e revisto nestes últimos oito anos», insistiu.
Para um tal governo, considerou o líder comunista, a prioridade seria «a justiça fiscal e social», com medidas como a revogação do sistema de reformas e pensões, a defesa do poder de compra dos trabalhadores e dos serviços públicos.
Questionado sobre a possibilidade de uma nova dissolução da Assembleia da República, Fabien Roussel disse que caberá ao presidente decidir, mas reiterou que a Macron, só lhe resta uma saída – nomear um governo que assuma uma política de esquerda.




