Um Nobel à ingerência e à extrema-direita

O há muito desacreditado prémio Nobel da Paz foi atribuído este ano a Corina Machado, líder da extrema-direita golpista venezuelana (que, posteriormente, o dedicou a Donald Trump). Este prémio é atribuído no momento em que os EUA continuam a instalar significativos meios militares no Mar das Caraíbas, ameaçando a Venezuela com uma agressão.

Corina Machado é uma figura sinistra com profundas ligações à extrema-direita de diversos países – como Bolsonaro, no Brasil, ou o VOX, em Espanha –, que participou, com o envio de uma mensagem, num recente conclave destas forças, realizado em Madrid. Corina Machado é igualmente conhecida pelo seu apoio a Netanyahu e à política de ocupação de Israel, prometendo que colocaria a embaixada venezuelana em Jerusalém (como fez Trump), caso tomasse o poder.

De entre 338 candidaturas propostas – das quais 244 personalidades e 94 organizações –, esta foi a clarificadora opção do Comité Norueguês do Nobel: um incentivo à ingerência externa e à extrema-direita.

Uma sinistra figura
Corina Machado adquiriu notoriedade em Abril de 2002 quando assinou o denominado “Decreto Carmona”, durante o golpe de Estado contra o então presidente Hugo Chávez. O decreto estabelecia a dissolução de todas as instituições democráticas. Derrotado o golpe, pela mobilização popular e por militares leais à Revolução, Corina Machado foi julgada e condenada, mas beneficiou de uma amnistia emitida pelo governo venezuelano e pelo presidente Chávez.

Entre outros episódios da sua permanente acção conspirativa e golpista, em Maio de 2005 foi recebida na Sala Oval da Casa Branca, pelo então presidente dos EUA, George W. Bush. A reunião foi apontada como um facto politicamente significativo, num contexto de intensa ingerência contra a Venezuela. Em Março de 2014, assistiu ao Conselho Permanente da Organização de Estados Americanos (OEA), instrumento dos EUA na América Latina, apresentando-se como “embaixadora suplente” do Panamá. Aí instou à aplicação de sanções, e à intervenção externa, contra a Venezuela.

Corina Machado apoiou as chamadas “guarimbas”, actos de violência contra a Revolução bolivariana que tiveram lugar em 2014 e em 2017 e causaram numerosas vítimas e a destruição de bens públicos. Ainda em 2017, a Procuradoria Geral da Venezuela impediu-a de exercer cargos públicos, decisão ratificada no ano passado, após revisão, pelo Tribunal Supremo de Justiça.

Ao longo do seu trajecto, Corina Machado manteve uma permanente acção pela imposição de sanções contra a Venezuela – na OEA, no Parlamento Europeu, no Congresso dos EUA… –, procurando asfixiar a sua economia e a capacidade do Estado em garantir as condições de vida do povo. Segundo números oficiais, foram aplicadas mais de mil medidas coercivas unilaterais contra a Venezuela, particularmente por parte dos EUA.

O papel de Corina Machado é também assinalado em processos relacionados com o roubo de activos do Estado venezuelano por entidades estrangeiras, como, por exemplo, a empresa petrolífera Citgo e as reservas de ouro depositadas no Banco de Inglaterra.

No contexto das eleições presidenciais na Venezuela, em 2024, Corina Machado, recusando-se a aceitar os resultados, promoveu acções de violência em diversas regiões do país, incluindo ataques armados, destruição de infra-estruturas e assassinatos de militantes chavistas. Já em Julho e Agosto de 2025, as autoridades venezuelanas afirmaram ter encontrado armas, explosivos e sistemas de comunicações na posse de grupos que operaram sob directrizes de sectores ligados a Corina Machado.

Por todo o mundo, diversas personalidades e organizações têm vindo a denunciar a vergonhosa atribuição do prémio Nobel da Paz a Corina Machado, uma figura que instiga à intervenção militar estrangeira contra a Venezuela, considerando que, afinal, não se trata de um prémio à Paz, mas de um prémio à guerra.

 



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