Prosseguir a solidariedade com o povo palestiniano

A resistência palestiniana e o governo israelita procederam a uma troca de detidos, as tropas ocupantes recuaram, embora se mantenham na Faixa de Gaza, os palestinianos procuram regressar aos seus lares completamente devastados e a ajuda humanitária está gradualmente a chegar à população. É um passo, mas impõe-se o fim da agressão genocida de Israel e a criação do Estado da Palestina conforme as resoluções da ONU.

Resistência do povo palestiniano e amplo movimento de solidariedade internacional impõem cessar-fogo na Faixa de Gaza

A resistência palestiniana entregou, na segunda-feira, 13, ao Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), os 20 israelitas detidos na Faixa de Gaza e alguns dos 28 mortos pelos bombardeamentos e ataques de Israel – outros encontram-se sob os escombros. Este intercâmbio faz parte de um entendimento alcançado, na semana passada, entre a resistência palestiniana e Israel e mediado por EUA, Egipto, Catar e Turquia.

Israel, por seu lado, entregou 1718 prisioneiros palestinianos detidos no decurso da agressão à Faixa de Gaza, incluindo mulheres e menores de idade, assim como os restos mortais de cerca de 360 palestinianos habitantes daquele território. Além disso, libertou 250 palestinianos que cumpriam longas penas de prisão, que foram acolhidos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Recusou-se, porém, a libertar destacadas figuras da resistência palestiniana, como Marwan Barghouti, um dos dirigentes mais populares do Movimento Fatah, ou Ahmed Saadat, Secretário-Geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina.

Barghouti e Saadat estão presos há mais de duas décadas, condenados por lutarem pela libertação do seu povo da brutal ocupação israelita.

Trump em Israel e cimeira no Egipto
O presidente dos EUA, Donald Trump, viajou na segunda-feira para Israel, onde, perante o parlamento, valorizou Netanyahu e declarou «o fim da guerra», prometendo um futuro de paz para o Médio Oriente, sem dizer como seria alcançado. Uma vergonhosa intervenção que branqueia a política de ocupação por parte de Israel, o genocídio do povo palestiniano e os seus responsáveis e mentores e que não aponta qualquer perspectiva para a resolução da questão fundamental: o respeito dos direitos nacionais do povo palestiniano, cujo cumprimento é impedido há décadas por Israel, com o apoio dos EUA e das potências da NATO e da UE.

A longa intervenção de Trump foi interrompida pelos protestos dos parlamentares Aymah Odeh e Ofer Cassif, da coligação de esquerda Hadash, que justamente instaram ao reconhecimento do Estado da Palestina, tendo sido expulsos da sala.

Trump viajou depois para o Egipto, onde decorreu, em Sharm El-Sheik, uma cimeira com a participação de mais de duas dezenas de altos representantes de países e organizações internacionais, como as Nações Unidas. Nesta cimeira, os EUA, o Egipto, o Catar e a Turquia assinaram uma declaração em que são enunciados princípios e intenções gerais para o Médio Oriente, mas que, significativamente, não faz qualquer menção à criação do Estado da Palestina e ao cumprimento das resoluções da ONU.

«Fim ao genocídio! Fim à ocupação!»
O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) considera que o anunciado entendimento entre a resistência palestiniana e Israel deve constituir «um passo no sentido de pôr definitivo fim ao genocídio do povo palestiniano por parte de Israel e criar o Estado da Palestina livre, soberano e independente». O CPPC considera inaceitável «que se pretenda negar ao povo palestiniano o seu legítimo direito à autodeterminação, a um Estado em que seja o povo palestiniano a decidir soberanamente do seu destino».

O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM), ao tomar conhecimento do acordo, «considera positivo qualquer passo no sentido do alívio do sofrimento do povo palestino, após dois anos de genocídio e de destruições inauditas». Trata-se, agora, de «garantir que o acordo assegura um cessar-fogo permanente, o acesso efectivo e irrestrito da ajuda humanitária, o fim da agressão e a retirada das tropas israelitas», acrescenta.

 

«Palestina soberana e independente!»

O PCP difundiu no dia 9, através do seu Gabinete de Imprensa, o comunicado “Prosseguir a solidariedade com o povo palestiniano! Cessar-fogo permanente! Fim ao genocídio! Palestina soberana e independente!”, no qual considera que «após dois anos de genocídio do povo palestiniano levado a cabo por Israel, o entendimento agora anunciado deverá constituir um passo para garantir um cessar-fogo permanente, o fim do genocídio, o acesso à ajuda humanitária, a retirada total das forças militares israelitas da Faixa de Gaza e o fim dos seus ataques na Cisjordânia e em Jerusalém Leste».

Este é um passo que há muito «deveria e poderia ter sido dado, não fosse a permanente falta de seriedade, perfídia, boicote e recusa por parte do regime israelita, que sempre contou com o apoio dos EUA e das potências da NATO e da União Europeia para a sua política genocida, de ocupação e de colonização», acrescenta.

Para o PCP, é necessário «garantir que Israel cumpra o cessar-fogo, que deve ser permanente, não obstaculize a entrada da ajuda humanitária e respeite os direitos do povo palestiniano, ao contrário do que se verificou com o acordo de 19 de Janeiro deste ano, brutalmente violado por parte do regime israelita, assim como em todos os acordos que Israel firmou, até ao momento, relativamente à questão palestiniana». Assim como é necessário afirmar a exigência de que Israel ponha fim à agressão ao Líbano e à Síria, e retire dos territórios que ocupa ilegalmente nestes dois países assim como das suas ameaças contra o Irão e o Iémen.

No momento em que é anunciado este entendimento, o PCP alerta contra as manobras e as pressões que, desrespeitando os direitos e a soberania do povo palestiniano, visam colocar em causa, ou mesmo continuar a impedir, a criação do Estado da Palestina, com as fronteiras de 1967 e capital em Jerusalém Leste, e o direito de retorno dos refugiados palestinianos, como determinam as resoluções das Nações Unidas. E reitera que «o povo palestiniano tem direito a um Estado em que, de forma plena e efectiva, decida soberanamente o seu caminho – uma justa causa cuja concretização não pode continuar a ser adiada, deturpada ou subvertida».

Este entendimento, reafirma, «é inseparável da persistente e corajosa resistência do povo palestiniano em defesa dos seus direitos, do amplo movimento internacional de solidariedade com a Palestina e de contestação à política de ocupação e aos crimes de Israel, bem como do crescente isolamento de Israel e dos EUA». O PCP sublinha ser da maior importância a continuação da solidariedade (ver página 32).



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