Comícios em Corroios, Porto e Lisboa afirmam a luta contra o pacote laboral
Definidas pelo Comité Central as linhas de intervenção e de reforço do Partido, realizaram-se, na sexta e no sábado, comícios em Corroios, no concelho do Seixal, e no Porto, respectivamente, sob o lema «Outro rumo para o País. Rejeitar o pacote laboral, a exploração e as injustiças». Hoje, Paulo Raimundo volta a intervir, às 21h00, em Lisboa, na histórica sala d’A Voz do Operário.
Prossegue a acção nacional de esclarecimento e mobilização do PCP
Em ambas as iniciativas, o Secretário-Geral do PCP apelou à participação de todos na acção nacional do Partido, junto dos trabalhadores e das massas populares, a desenvolver até ao início de Dezembro, com o objectivo central de combater o pacote laboral apresentado pelo Governo. Esta campanha visa igualmente denunciar a ofensiva mais vasta do Executivo, marcada pelo desmantelamento dos serviços públicos, pelas privatizações, pela fragilização dos recursos do Estado, pelos benefícios concedidos aos grupos económicos, pela injustiça fiscal e pela acumulação de lucros – aspectos também visíveis no contexto do Orçamento do Estado (OE) para 2026.
«Aqui está o futuro»
No comício do Porto, realizado na Escola Augusto Pires de Lima, Paulo Raimundo destacou a confiança e a determinação com que o PCP enfrenta o actual momento político. «Aqui está a esperança que confronta e afronta o conformismo. Aqui está a solidariedade e a unidade que fazem frente à divisão e ao ódio. Aqui está o futuro que se opõe ao retrocesso», afirmou, sublinhando que o PCP é «o Partido que não perde o foco da sua acção, que assume o seu papel e as suas responsabilidades, que encontra, no ombro a ombro, na lágrima e no sorriso, a força, a unidade e a capacidade para cumprir o seu papel».
Apesar do cansaço acumulado de uma intensa actividade, o dirigente comunista garantiu estar «extraordinariamente confiante de que é possível pôr fim ao rumo que está a destruir o País».
Crítica à política económica da direita
Em Corroios, no comício que assinalou o primeiro grande momento após as eleições autárquicas, Paulo Raimundo criticou a política económica do Governo e dos partidos da direita. Naquela sexta-feira, «enquanto entretêm o povo com falsas polémicas, PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega aprovaram a descida do IRC para 19%, desviando dois mil milhões de euros para os grandes grupos económicos – os mesmos que se preparam para outro golpe: o pacote laboral», denunciou.
Referindo-se à proposta do Chega de eliminar a derrama estadual, o Secretário-Geral do PCP afirmou, no Porto: «Em Portugal há cerca de um milhão de empresas. Destas, apenas 3600 pagam a chamada derrama estadual, e 74 grandes grupos são responsáveis por 60% dessa receita. Acabar com a derrama não beneficia uma única micro ou pequena empresa», mas «apenas os grandes abutres, os grandes galifões, os grandes grupos económicos. Estes são os financiadores do Chega».
Para Paulo Raimundo, o Chega é «o abre-latas desta política», um instrumento «ao serviço daqueles que se acham donos disto tudo». «Todos diferentes», ironizou, «mas cada um com o papel que o sistema lhes confere».
«Golpe contra os direitos dos trabalhadores»
Tanto em Corroios como no Porto, o dirigente comunista considerou o pacote laboral «um golpe contra os direitos dos trabalhadores», alertando que as suas medidas trarão «mais precariedade, mais desregulação dos horários de trabalho e despedimentos sem justa causa».
«É esta a essência do pacote laboral que aí está», afirmou, denunciando também o ataque em curso à Administração Pública. «Não estamos apenas a lutar contra o pacote laboral. Não é apenas um problema de legislação laboral», sublinhou. «É um problema de concepção da sociedade, de equilíbrio social, de presente e de futuro. Estamos a lutar por um outro modelo de sociedade, por justiça, por igualdade e por uma vida digna para todos.»
Marcha Nacional a 8 de Novembro
Paulo Raimundo reafirmou a importância da grande Marcha Nacional, convocada para 8 de Novembro, em Lisboa, contra o pacote laboral e por melhores condições de vida.
«Estaremos lá com toda a força, porque aqueles que trabalham, que põem a economia e o País a funcionar, que criam a riqueza, têm direito a uma vida melhor. Têm direito a salários dignos, a estabilidade e a tempo para viver», afirmou.
Para o dirigente comunista, «não é apenas uma marcha contra», mas sim «uma marcha por esses direitos a que temos direito», reforçando que o PCP continuará «na linha da frente da luta dos trabalhadores, pela valorização do trabalho e pelo futuro do País».
«Sinal de resistência»
No comício de Corroios, Paulo Raimundo abordou também o resultado obtido pela CDU nas eleições autárquicas, que considerou ser «um sinal de resistência», demonstrando que a Coligação PCP-PEV «continua viva, combativa e determinada». Reconhecendo que o resultado eleitoral foi «no geral negativo», destacou que, «num quadro muito exigente», a CDU se manteve «como uma importante força no Poder Local», elegendo 1500 representantes directos, conquistando 97 freguesias e afirmando-se como a terceira força política em presidências de câmaras municipais.
«Todos queríamos mais e merecíamos mais», admitiu, «mas a questão central é perceber como, neste quadro tão adverso, foi possível alcançar este resultado – e é isso que provoca azia aos nossos inimigos».
O Secretário-Geral lembrou «a brutal ofensiva contra o Partido e contra as gestões da CDU nas autarquias», marcada por «mentiras, calúnias, cerco e silenciamento», garantindo que, apesar de tudo, a Coligação PCP-PEV «não foi varrida do mapa, como muitos previam». «Foi um resultado que obrigou alguns a engolir em seco, a rever artigos já escritos na tarde de domingo», afirmou, acrescentando: «Que continuem a pensar que nos vão varrer – porque aqui está a força para lhes provar o contrário!»
Paulo Raimundo criticou ainda os «golpes políticos» verificados nalguns concelhos, como Santiago do Cacém, onde «uma lista dita de independentes, apoiada por PS e PSD, venceu por pouco mais de 90 votos».
No encerramento, deixou uma mensagem mobilizadora: «Continuem a ser construtores e protagonistas de uma vida melhor neste País!»
Projecto com provas dadas
O primeiro comício após as eleições autárquicas de 12 de Outubro encheu o Ginásio Clube de Corroios, com mais de 500 pessoas a afirmarem, com entusiasmo e confiança, o valor da luta e da intervenção colectiva. O momento cultural, marcado pela voz de Vítor Paulo, deu força e emoção à iniciativa, com temas como «Vejam Bem» e «O que faz falta», de José Afonso. A actuação terminou com «Grândola, Vila Morena», cantada por todos, de pé, com os cravos de Abril erguidos bem alto.
Porque «a CDU é presente e futuro de confiança», João Martins, da Direcção da Organização Regional de Setúbal (DORS) e responsável pela Comissão Concelhia do Seixal do PCP, destacou que, no concelho do Seixal, a CDU registou um crescimento em número de votos em sete dos oito órgãos em eleição, conquistando no total 55 eleitos – mais do que nas autárquicas de 2021.
«Apresentámo-nos com um projecto de futuro, assente na obra realizada, com provas dadas no desenvolvimento económico, na prestação do serviço público, na valorização da educação, da cultura, do desporto e da acção social, na qualificação do património e do espaço público», afirmou o dirigente comunista. Por outro lado, «afirmámos o nosso compromisso de mobilização da população, sendo rosto e voz das suas reivindicações», acrescentou.
Resistir para avançar
João Frazão, da Comissão Política do Comité Central e responsável pela DORS, traçou como prioridade para os próximos tempos o regresso «de novo» junto dos trabalhadores, apoiando as suas lutas, dos utentes, contra o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, em defesa do direito à mobilidade e, olhando para lá das fronteiras do nosso País, pela paz.
Por último, João Frazão destacou a importância de olhar para o Partido e identificar as suas múltiplas potencialidades, tratando-o «com o carinho que se dedica a um filho»: «célula de empresa a célula de empresa (…), razão de ser da nossa existência, organização fundamental para assegurar a ligação do Partido às massas, e para organizar a acção e a luta de classes». Trabalho que se deve estender às organizações locais e às comissões de freguesia, «concelho a concelho, sector a sector, tarefa a tarefa, responsabilizando camaradas para as dinamizar, tomar a iniciativa e contactar as populações na luta pelos seus direitos».
«Agora, vamos fazer crescer o Partido, com mais recrutamentos – desde logo entre os muitos candidatos independentes da CDU –, com mais responsabilizações, com ousadia e trabalho de ajuda e formação, garantindo a independência financeira, com maior recolha de fundos», afirmou.




