G20 aponta dívida como o maior obstáculo ao desenvolvimento
Culminando um ano de presidência temporária da África do Sul, a Cimeira do G20 realizada em Joanesburgo comprometeu-se com acções concretas para «melhorar as vidas das pessoas no mundo».
O presidente Cyril Ramaphosa, da África do Sul, encerrou a Cimeira dos Líderes do G20, sublinhando que durante a presidência sul-africana foi reconhecido que o crescente peso da dívida enfrentado por muitos países em desenvolvimento é o maior obstáculo ao seu desenvolvimento sustentável, tendo ficado o compromisso de estender o apoio a estes países.
Cyril Ramaphosa destacou que o resultado da Cimeira inclui um compromisso com acções concretas para melhorar as vidas das pessoas no mundo
Na Cimeira, realizada nos dias 22 e 23, participaram dirigentes de mais de 40 países, incluindo 19 membros do grupo – os Estados Unidos da América primaram pela ausência –, 16 países convidados e seis representantes de comunidades económicas regionais de África, Caraíbas e Ásia. A presidência rotativa do G20 passa agora da África do Sul para os EUA.
Ramaphosa realçou que o consenso alcançado demonstra a importância do G20 como fórum capaz de facilitar acções conjuntas sobre temas de preocupação comum, pondo em relevo as conquistas obtidas para a África e o «Sul Global».
Enfatizou que a cimeira, a primeira realizada em solo africano, permitiu colocar o crescimento e o desenvolvimento do continente no coração da agenda do G20.
Destacou ainda como a África do Sul utilizou a sua presidência rotativa do G20 para colocar firmemente as prioridades da África e do «Sul Global» no centro da agenda do grupo, prosseguindo o trabalho das presidências anteriores da Indonésia, da Índia e do Brasil.
Ressaltou que, na declaração final da Cimeira, aprovada por esmagadora maioria, os países comprometeram-se a acelerar o progresso visando atingir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável 2030 e o Pacto para o Futuro, trabalhando para criar um ciclo de redução da dívida, de maior investimento público e de crescimento económico mais rápido e inclusivo.
Quanto ao ambiente, destacou avanços na mobilização de financiamento para as economias em desenvolvimento e para fortalecer os bancos multilaterais de desenvolvimento. Valorizou o reconhecimento da necessidade de reduzir rápida e sustentadamente as emissões de gases de estufa e aumentar substancialmente o investimento para este fim.
Entre outras questões, indicou o apoio ao Quadro de Minerais Críticos do G20, iniciativa de cooperação para assegurar que os recursos minerais críticos impulsionem a prosperidade e o desenvolvimento sustentável global.
Sobre a gestão de desastres naturais, recordou que a África do Sul introduziu no fórum os Princípios Voluntários de Alto Nível para investir na Redução de Riscos, promovendo a cooperação internacional para fortalecer o investimento em prevenção e na resposta face às catástrofes naturais.
No final, Cyril Ramaphosa convocou os países a avançar juntos, demonstrando ao mundo a capacidade colectiva de confrontar e superar os desafios globais, assegurando que ninguém fique para trás no caminho para um futuro mais seguro, justo e próspero.
Papel da África do Sul
o Partido Comunista Sul-Africano (SACP, na sua sigla em Inglês) afirmou que a África do Sul, tal como todos os países em desenvolvimento, devem utilizar a sua participação no G20 para se libertarem das amarras do imperialismo e, assim, alcançarem a sua emancipação económica.
Mbulelo Mandlana, porta-voz nacional do PCSA, declarou que a participação da África do Sul no G20 constitui um sinal positivo para os países economicamente menos desenvolvidos, realçando ainda que "de um país que era anteriormente um pária para um país que desempenha um papel de liderança nos assuntos internacionais, este é um acontecimento positivo".
O Congresso Nacional Africano (ANC, na sua sigla em Inglês) saudou o êxito da Cimeira do G20 em Joanesburgo e destacou que esta demonstrou a capacidade sul-africana para liderar, convocar e facilitar diálogos.
O ANC valorizou a aprovação da declaração final, que considera reflectir o compromisso global para transformar a arquitectura financeira internacional, avançar com políticas ambientais justas e fortalecer as relações comerciais.
Para o ANC, a Cimeira demonstrou que as forças opostas ao progresso Humano, à justiça ecológica e ao desenvolvimento global não prevalecerão, constituindo esta Cimeira uma clara resposta a quem procura minar o multilateralismo.
O ANC mostrou-se confiante em que as perspectivas positivas geradas durante a Cimeira fortalecerão a solidariedade global e aprofundarão as alianças necessárias para enfrentar os complexos desafios que actualmente afectam a Humanidade.




