Jovens do vasto mundo

Gustavo Carneiro

«Prometemos que nos lembraremos desta unidade, forjada neste mês de Novembro de 1945. Não apenas hoje, esta semana ou este ano, mas sempre. Até que tenhamos construído o mundo com que sonhamos e pelo qual lutamos. Comprometemo-nos a construir a unidade da juventude mundial. Todas as raças, todas as cores, todas as nacionalidades, todas as crenças. Eliminar todos os vestígios de fascismo da Terra. Construir uma amizade internacional profunda e sincera entre os povos do mundo. Manter uma paz justa e duradoura.»

Este é um excerto da declaração adoptada pela Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD) na sua conferência fundadora, realizada em Londres a 10 de Novembro de 1945, onde estiveram representantes de 63 nações – com diferentes línguas, tendências políticas e crenças religiosas. Unia-os a defesa da paz e dos direitos da juventude e o combate ao fascismo, ao imperialismo e ao colonialismo: “Jovens, uni-vos! Por uma paz duradoura” é ainda hoje o lema da Federação, impresso no símbolo junto a três rostos, de perfil – um europeu, um asiático e um africano.

Em missões, campanhas e nas várias edições do Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, a FMJD, as organizações que a integram e os jovens progressistas de todo o mundo reforçaram laços de solidariedade: em 1953, no 4.º festival, a delegação portuguesa integrava jovens das então colónias, que ali desfilaram autonomamente, em nome dos seus países que haveriam de ser livres; Sófia transformou-se, em 1968, na capital mundial da luta contra a agressão imperialista ao Vietname e a ocupação da Palestina por Israel; em 1997, Cuba acolheu a 14.ª edição, garantindo a continuidade do movimento dos festivais e recebendo o apoio de milhares de jovens de todo o mundo, num dos momentos mais difíceis da sua história. Para o ano, em Caracas, o 20.º festival reafirmará o direito dos jovens venezuelanos à paz e ao desenvolvimento soberano...

Essa solidariedade recíproca esteve presente, há dias, no 13.º Congresso da Juventude Comunista Portuguesa (que integra a FMJD e desde há meses assume a sua presidência): nas intervenções dos revolucionários vindos da Palestina, de Cuba e da Venezuela; nos depoimentos enviados da África do Sul, Alemanha, Angola, Bangladeche, Bélgica, Brasil, Chipre, Colômbia, França, Líbano, Moçambique e Sri Lanka; nas delegações presentes; nas mensagens recebidas; nas moções aprovadas.

E, mais importante, no que tantos jovens (alguns muito novos) ali aprenderam: que a juventude de todo o mundo partilha sonhos, aspirações e lutas; que tem direito a ser livre, realizada e feliz; que a divisão serve sempre – e apenas – à ínfima minoria de exploradores. Em tempos de promoção do ódio e da guerra, convenhamos, isto tem um enorme significado – e revela que há forças para construir o futuro.

 



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