Acordo UGT/Uber – Uma fraude sem vergonha!

Manuel Gouveia

Diz o ditado que quando a esmola é grande o pobre desconfia. Ora, quando um dos jornais do sistema fala de «acordo histórico» entre um sindicato e a UBER é coisa para desconfiar. Quer o passado de um quer o passado de outro dão bastos motivos para a desconfiança. E jornais de «referência» ainda merecem mais desconfiança.

Mais para desconfiar quando a promessa é grande e sonora, como titula o Público: «Acordo entre Uber e UGT garante salário mínimo e protecção na doença a motoristas e estafetas». Trata-se de duas questões centrais para melhorar a vida destes trabalhadores. Seria magnífico que isto fosse verdade. E é com essa esperança que mergulhamos no conteúdo concreto da coisa. E só não ficamos decepcionados porque no fundo, não alimentávamos qualquer ilusão.

O salário mínimo que o Acordo garante é descrito desta forma: «A Uber obriga-se a assegurar que os rendimentos dos prestadores de atividade, durante o período em que se encontram a realizar entregas [ou viagens] através da plataforma são sempre iguais ou superiores ao valor/hora equivalente à retribuição mínima mensal garantida em vigor» explica o ECO. Ou seja, e com um exemplo que é mais prático: são 15h00, o trabalhador está 15 minutos à espera de um serviço, às 15h15 recebe um serviço, sobe para a bicicleta, recolhe a pizza, e entrega-a ao cliente às 15h25, regressando ao ponto de origem às 15h30. Naquela meia hora o trabalhador nada recebeu durante 20 minutos e há 10 minutos que são pagos ao valor do Salário Mínimo hora. Se esta fosse a média, o trabalhador receberia um salário bruto ao fim de 48 horas de trabalho que seria UM TERÇO do salário mínimo semanal, e teria que estar a trabalhar 176 das 168 horas da semana para completar um salário mínimo!!!! Isto é uma fraude!

Quanto à outra vertente, trata-se de colocar os trabalhadores a pagar à UGT pelo facto do patrão fazer o seguro de trabalho OBRIGATÓRIO para quem trabalha para ele (como é o caso). Um seguro que garante o apoio máximo de 380 € / mês em caso do invalidez total permanente. Tudo a troco de 6,5 € por mês para a UGT. Que a multinacional retira dos serviços dos trabalhadores que aderirem e envia para o «Sindicato» que assinou isto. Que nojo!



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