O Corolário Trump será derrotado
É a hora da solidariedade, da resistência
O infame ataque militar dos EUA contra a Venezuela e o sequestro do presidente constitucional Nicolás Maduro constituem um gravíssimo acto de terrorismo de Estado e um salto qualitativo na espiral intervencionista e fascizante que espezinha a Carta da ONU e ameaça a Humanidade. Pode-se afirmar que o acontecido na madrugada de 3 de Janeiro em Caracas e outros pontos do país sul-americano condensa o sentido da evolução alarmante da situação internacional no ano agora terminado. Bastaria mencionar: os horrores do genocídio em Gaza transmitido em directo para todo o mundo e a tenebrosa maquinação para branquear a acção criminosa do sionismo israelita e seus cúmplices e apoiantes imperialistas – terminando na imposição de uma vergonhosa resolução do CS da ONU que envilece o direito internacional –; a consumação da destruição da soberania e desmembramento da Síria e a ascensão ao poder em Damasco de um antigo quadro do ISIS; a campanha militar contra o Irão, incluindo o assassinato de altos-responsáveis civis e castrenses; ou a intensificação da cruel guerra na Ucrânia, passando pelo não menos pérfido ataque, de um carácter sem precedentes, contra forças estratégicas nucleares russas, sendo que, até à data, os EUA permanecem o principal fautor deste conflito.
A criminosa acção armada contra a Venezuela, a inclassificável ameaça de Trump, ao estilo de far-west, contra a presidente encarregada Delcy Rodriguez e a afirmação tão arrogante quanto falaciosa de que «agora são os EUA que mandam no país» são apregoadas como a concretização viva da nova estratégia de segurança nacional, divulgada pela Casa Branca no início de Dezembro. Entra aqui, em particular, a pretensão por Washington ao domínio absoluto do Hemisfério Ocidental através do resgate em toda a linha da dinaussárica Doutrina Monroe e da sua reactualização sob a designação de “Corolário Trump”.
Há que sublinhar que este cobarde ataque e o regresso à política da canhoeira no século XXI representa de facto uma ameaça mortal contra a soberania, a democracia e os direitos do povo, não só da Venezuela e de Cuba, Colômbia, México, mas de todos os países da América Latina e Caraíbas e do mundo, e uma perigosa acção ilegal e disruptiva do quadro e legalidade internacionais. As inúmeras reacções de indignação e protesto desde as Américas, incluindo nos EUA, até ao continente asiático mostram que as forças democráticas e sociais mais avançadas estão conscientes desta realidade.
Para a Venezuela, esta agressão dos EUA é a tentativa de culminar pela intervenção militar directa uma guerra híbrida de ingerência, manipulação informativa e estrangulamento económico que dura há mais de 25 anos. O objectivo é, finalmente, derrotar o processo popular bolivariano e assegurar o regresso do controlo dos recursos naturais. Invocar, nestas circunstâncias, uma “transição democrática” é uma grotesca hipocrisia. Registe-se a obscena subserviência da reacção do Governo e classe dirigente nacionais, da UE e principais potências da NATO.
Na actual convulsão mundial, não se esqueça o papel central da crise que assola os EUA a múltiplos níveis, incluindo o endividamento insustentável. Esta é a hora da solidariedade, da resistência, da luta também pela verdade. Como dizia o presidente Chávez, «que ninguém se equivoque» sobre o que está em causa.




