Centenas manifestam-se contra acordo Mercosul
Perto de mil agricultores europeus manifestaram-se, durante a manhã de terça-feira, frente à sede do Parlamento Europeu. Estes protestos surgem no seguimento da assinatura do acordo Mercosul, no passado dia 17, no Paraguai.
João Oliveira denunciou as consequências nefastas deste acordo
Após as manifestações realizadas logo após a assinatura do acordo Mercosul, no passado sábado, perto de mil trabalhadores juntaram-se, no dia 20, junto à sede do Parlamento Europeu para o recusar. Este acordo, tal como o PCP já denunciou, beneficia as multinacionais do agro-negócio, da indústria e dos serviços, à custa da soberania económica e alimentar, da produção nacional e do emprego.
Nesta manifestação convocado pela FNSEA (Frente Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícolas Franceses) os agricultores dos diferentes países da UE afirmaram a necessidade de impedir a entrada em vigor deste acordo que, segundo este sindicato, «não pode ser tratado como mais um acordo comercial».
Recusar a submissão
A luta dos trabalhadores face a este acordo entra em choque com o optimismo demonstrado pela Comissão Europeia que, num comunicado recente, afirma que este «proporcionará novas e substanciais oportunidades comerciais para as empresas de toda a UE, ao mesmo tempo que apoia centenas de milhares de empregos». Esta dissonância prova, mais uma vez, o profundo antagonismo entre os objectivos da UE e da PAC e os interesses dos povos e dos agricultores, nomeadamente em matéria de soberania alimentar.
Intervindo no Parlamento Europeu, João Oliveira denunciou as consequências nefastas deste acordo, apontando o caminho alternativo que se exige. O deputado comunista afirmou que os agricultores protestam pois este acordo ameaça a «liquidação de dezenas de milhares de explorações agrícolas familiares», a «redução dos rendimentos» e o «agravamento da dependência alimentar». Face a este acordo, foi apresentada uma proposta com três componentes: suspender a decisão deste acordo entrar em vigor provisoriamente, pedir aos parlamentos nacionais que se pronunciem sobre o acordo e não avançar com o processo de regulamentação ou aplicação das suas regras ou normas até que este pronunciamento esteja concluído.




