Perante os problemas que persistem a luta vai continuar

Patrícia Machado (Membro da Comissão Política)

O Governo tem vindo a sabotar a construção do Novo Hospital Central do Alentejo

O ano novo não nos traz propriamente uma vida nova e aquilo a que assistimos é ao aprofundamento das desigualdades, das injustiças e dos problemas do País. Há quem se regozije com os indicadores agora anunciados sobre a pobreza, quando o que eles demonstram é que cada vez mais há trabalhadores que empobrecem a trabalhar, que existem mais de dois milhões de pessoas em risco de pobreza – e nestas estão 300 mil crianças.

Há quem, como o Governo, pinte um País cor-de-rosa, ao mesmo tempo que procura que ninguém fale do brutal aumento dos preços verificado no início de 2026, desde o gás à electricidade, dos bens alimentares às comunicações, para não falar dos custos com a habitação, que continuam a aumentar ao mesmo tempo que os escandalosos lucros dos grandes grupos económicos são uma realidade que contrasta com as sérias dificuldades em que se encontra a generalidade dos trabalhadores, dos reformados e das famílias.

Há quem encha a boca a falar da necessidade de fazer reformas, mas nunca são aquelas que coloquem o País a produzir, a aproveitar as suas potencialidades, a defender a nossa soberania, a valorizar os salários e os trabalhadores, a criar condições de resposta aos problemas dos serviços públicos, na saúde ou educação. Ao invés, visam, sim, impor um pacote laboral que ataca ferozmente os trabalhadores. Querem, sob a capa do novo e moderno, regredir brutalmente nos direitos, pondo e dispondo da vida de cada um para gerar mais e mais lucro para uns poucos.

O que não podem apagar é a resposta dada pelos trabalhadores com a adesão à greve geral de 11 de Dezembro e à expressão da continuidade da luta que se tem desenvolvido nas empresas e nas ruas.

Sabotagem e cumplicidade
Os problemas no Serviço Nacional de Saúde agudizam-se com a intenção de o fragilizar para alimentar o negócio da doença. Exemplo disto continua a ser o Novo Hospital Central Público do Alentejo, em Évora – exemplo, repito, pois a lógica repete-se com novos ingredientes, ou seja, a sabotagem do Governo PSD/CDS desta importante obra para a população e os profissionais de saúde da região. A sabotagem é evidente, com a criação sistemática de obstáculos e dificuldades à concretização da obra, continuando a prática do PS do empurrar responsabilidades para cima de outras entidades.

Esta reiterada acção tem objectivos cada vez mais evidentes: criar condições para a crítica às obras públicas e justificar a opção pelo negócio das parcerias público-privadas (PPP), ao mesmo tempo que instrumentaliza os interesses colectivos para disputa política e partidária que favoreça o PSD.

O recente despacho da ministra da Saúde a delegar competências no Secretário de Estado da Gestão da Saúde vem confirmar que as responsabilidades pela obra são do Governo e que foi a ministra quem deliberadamente atrasou o processo, prejudicando o Alentejo e os alentejanos para favorecer o PSD nas eleições autárquicas e justificar o saneamento político da anterior direcção da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central.

A atitude do Governo, que continua a procurar empurrar para cima da Câmara Municipal de Évora e da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) a responsabilidade pela obra, merece ser denunciada, já que uma obra cujo custo ultrapassa os 200 milhões de euros não pode ser assumida por mais ninguém que não o Governo, como há muito o PCP tem afirmado.

A realidade é que o contrato de fiscalização da obra caducou em Fevereiro de 2025 e o contrato de empreitada de construção terminou em Dezembro, situações que continuam por resolver. Nesta como noutras frentes, a luta tem de continuar para que o Governo assuma as suas responsabilidades e, já agora, que a Câmara Municipal de Évora não se torne cúmplice desta sabotagem.



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