Israel continua a atacar Gaza e a sabotar o cessar-fogo
A continuação dos ataques israelitas à Faixa de Gaza provocaram, nos últimos dias, quatro dezenas de mortos palestinianos. Entretanto, no quadro da implementação da segunda fase do denominado “plano de paz”, os países que têm mediado as negociações anunciaram a reabertura, condicionada, da passagem fronteiriça de Rafah.
Com limitações impostas por Israel, foi reaberta a passagem fronteiriça de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egipto
Lusa
No sábado, 31 de Janeiro, um míssil israelita atingiu a esquadra da polícia no bairro de Sheij Radwan, na cidade de Gaza, fazendo 17 mortos, entre os quais nove polícias, quatro deles mulheres, quatro detidos e outros civis. No mesmo dia, três habitantes daquele território palestiniano perderam a vida num ataque israelita contra uma residência familiar, no oeste da cidade de Gaza, perto de um complexo escolar da agência da ONU para os refugiados palestinianos, a UNRWA. Antes, de madrugada, outras 12 pessoas, incluindo seis crianças de duas famílias, morreram noutros ataques das forças israelitas.
O Hospital Shifa informou que na cidade de Gaza um bombardeamento aéreo israelita contra um apartamento matou uma mãe e três dos seus filhos e mais um familiar. E, em Khan Yunis, no sul, num bombardeamento de um drone israelita contra uma tenda de campanha morreram um pai, os seus três filhos e três dos netos.
Com estes assassinatos, já ascende a 530 o número de vítimas de Israel no território desde a entrada em vigor do cessar-fogo, a 10 de Outubro. As tropas ocupantes causaram também ferimentos em 1360 palestinianos, incluindo mais de 100 menores. A resistência palestiniana condenou estes crimes e denunciou que se trata de mais uma tentativa de Israel socavar o cessar-fogo, mostrando um claro desprezo pelo acordo alcançado.
Israel não deseja a paz
As contínuas violações do cessar-fogo por parte de Israel, de que são exemplo os mais recentes ataques na Faixa de Gaza, demonstram que não deseja a paz. Israel não cumpre com as disposições do denominado “plano de paz” que foi adoptado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, incluindo o respeito pelo cessar-fogo – que o exército israelita violou 1450 vezes em três meses – ou a entrada sem obstáculos da ajuda humanitária na Faixa de Gaza.
O cessar-fogo entre a resistência palestiniana e Israel, estabelecido com a mediação de Egipto, Qatar e Turquia, mas também dos EUA – que apoiam abertamente Israel –, constitui um passo para pôr fim à agressão genocida israelita contra o povo palestiniano, iniciada em Outubro de 2023 e que provocou mais de 71 mil mortos e 171 mil feridos.
A segunda fase do denominado “plano de paz”, agora anunciada, prevê entre outros aspectos a total retirada das tropas israelitas da Faixa de Gaza, o desarmamento da resistência palestiniana, a instalação de uma “força internacional de estabilização” e o início da actividade das estruturas de gestão do território, incluindo um “Comité Nacional para a Administração de Gaza”, integrado por palestinianos, sob o controlo de uma chamada “Autoridade Executiva” e de um denominado “Conselho da Paz” presidido por Donald Trump, que alguns apontam ter como objectivo a imposição de uma tutela de carácter neocolonial sobre aquele território.
Israel deve retirar as suas tropas de Gaza
O Presidente do Conselho Nacional Palestiniano denunciou a dramática situação humanitária na Faixa de Gaza em resultado de mais de dois anos de agressão israelita e reclamou o fim dos ataques. O mundo deve assumir as suas responsabilidades políticas e morais para deter as violações israelitas contra os territórios palestinianos ocupados, reiterou o responsável palestiniano.
Depois de condenar os contínuos assassinatos, a destruição, o assédio e os ataques levados a cabo por Israel contra o povo palestiniano na Faixa de Gaza,o responsável palestiniano condenou também a escalada de ataques militares israelitas na ocupada Cisjordânia e a sua colonização desse território, as quais representam uma flagrante violação do direito internacional.
Sobre a criação de um comité de palestinianos para governar a Faixa de Gaza, assegurou que essa é uma medida temporária como parte dos esforços para melhorar as condições de vida e facilitar a prestação de serviços básicos à população. De maneira alguma constitui uma alternativa à Autoridade Nacional Palestiniana ou à sua liderança, realçou.
Passagem de Rafah reabriu condicionada
A passagem fronteiriça de Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egipto, reabriu na segunda-feira, 2, em ambas as direcções mas apenas para o movimento de um número limitado de pessoas, após mais de um ano e meio encerrada pelo exército israelita.
Numerosas ambulâncias chegaram ao hospital do Quarto Crescente Vermelho, na cidade de Khan Yunis, no sul, para transferir doentes e feridos para o outro lado da fronteira com o propósito de receber cuidados médicos adequados. No Egipto, os hospitais do norte do Sinai e das províncias vizinhas entraram em alerta máxima, em especial os seus departamentos de emergência, cuidados intensivos e cirurgia, para receber os palestinianos feridos ou doentes.
A Rede de ONG palestinianas na Faixa de Gaza indicou que cerca de 20 mil palestinianos esperam sair para o exterior para receber tratamento adequado, perante a dramática situação do sector da saúde no território, provocada pela agressão israelita.
O governo israelita encerrou a passagem de Rafah em Maio de 2024, bloqueando a entrada de ajuda humanitária e o movimento de pessoas.
Como parte dos acordos entretanto alcançados, só poderão regressar à Faixa de Gaza os palestinianos que abandonaram o território depois do desencadear da agressão israelita, em Outubro de 2023. A reabertura da passagem de Rafah está prevista na segunda fase dos acordos de cessar-fogo, não obstante as tentativas do governo israelita de impedir o seu cumprimento.




