Coitadinhos dos accionistas da EDP

Manuel Gouveia

Se há coisa de que não se pode acusar o sistema capitalista é da sua máquina de propaganda ser ineficaz. Ainda mal foi formulada a acusação sobre as responsabilidades (nas consequências da catástrofe) das empresas privadas que se apropriaram da infra-estrutura nacional e já temos o Expresso a apresentar a firme defesa dessas empresas, no caso da EDP.

Vestido com fato fluorescente, no “terreno”, como se acabasse ele mesmo de reparar as infra-estruturas, o presidente da EDP lamenta-se logo no titulo da “notícia”: «Nós fazemos o investimento que nos deixam fazer». Depois, em letra mais miúda lá nos explicam: cada ano a EDP propõe qual o volume de investimento que quer realizar e deve ser pago pelos utentes (ou pelo Estado) através de novos aumentos no preço da electricidade e o Regulador e o Estado têm de autorizar esse “investimento”.

Claro que em lado nenhum o Expresso se permite estimular a mais mínima reflexão sobre esta importante informação:

1) A EDP precisa de autorização para investir à sua custa na rede? Se a EDP usasse 200 dos 1000 milhões anuais de lucro a investir na rede isso necessitava de ser autorizado? Claro que não. Mas o lucro é intocável.

2) Se todo o investimento ou é pago pelo Estado (via fundos comunitários, isenções fiscais ou apoios directos) ou é para se reflectir no preço que os portugueses (e as empresas portuguesas) pagam de electricidade, para que serviu privatizar a EDP?

Claro que esta “notícia” não serve apenas para justificar a falta de investimento do passado. Serve já de preparação para a EDP abocanhar o grosso dos apoios públicos para enfrentar as consequências da pandemia e para corrigir as falhas expostas e para serem impostos novos e brutais aumentos de preço na electricidade.

E aposto que até a factura do fatinho fluroscente do CEO nos vai ser enviada.

 



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