A Voz do Operário celebra 143 anos e homenageia Maria João Luís
A Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário assinalou, no dia 13 de Fevereiro, 143 anos de «vida plena de êxito, de defesa dos direitos dos trabalhadores, pugnando pela sua significação e elevação social, educativa e cultural».
A história d’A Voz do Operário está marcada pelo serviço aos sócios e à comunidade
As comemorações oficiais realizam-se no próximo dia 22 de Fevereiro, pelas 19h00, no Salão de Festas da instituição. A sessão solene terá início com a actuação do Coro Infantil d’A Voz do Operário, dirigido pela professora Inês Melo, seguindo-se a intervenção da direcção e um jantar comemorativo. O momento será igualmente marcado por uma homenagem à actriz Maria João Luís, que passará a Sócia Honorária da sociedade.
Nascida em Lisboa, em 1963, e criada em Vila Franca de Xira, Maria João Luís iniciou o seu percurso artístico na companhia A Barraca. Trabalhou com estruturas como o Teatro da Casa da Comédia, a Fundação Calouste Gulbenkian, o Teatro da Malaposta e o Teatro da Comuna. No Teatro da Cornucópia integrou encenações de Luís Miguel Cintra e Adriano Luz, mantendo uma colaboração próxima com António Pires, no Teatro do Bairro.
Em 2009 fundou o Teatro da Terra, actualmente sediado no Seixal, onde desenvolve um projecto assente na democratização do acesso à criação artística, conciliando repertório clássico reinterpretado com propostas contemporâneas.
No cinema, estreou-se em 1991, com A Idade Maior, tendo trabalhado com realizadores como Fernando Matos Silva, Teresa Villaverde, João Botelho, Patrícia Sequeira, Michael Sturminger, Fernando Lopes e Luís Filipe Rocha, entre outros. Na televisão, desde 1992, tornou-se um dos rostos mais reconhecidos pelo público, protagonizando, a partir de 2003, vários projectos de grande impacto.
Foi distinguida com um Globo de Ouro pela encenação de Ninguém se Ouve, Ninguém se Vê, a partir de A Gaivota, de Tchekhov, galardão que voltou a receber em 2021, na categoria «Especial 25 anos de ficção». No plano cívico, tem-se destacado na defesa dos direitos fundamentais e dos valores da liberdade, democracia e paz.
Raízes profundas na história do movimento operário
O jornal A Voz do Operário foi fundado em 1879, com o propósito de dar expressão às reivindicações dos trabalhadores, num contexto de duras condições laborais e silenciamento social. Em 1883 nasceu a Sociedade Cooperativa A Voz do Operário, consolidando o projecto colectivo que jamais deveria remeter-se ao silêncio.
Ao longo de mais de um século, milhares de crianças passaram pelas suas escolas e muitos encontraram ali espaço de participação cívica e resistência, inclusive durante o fascismo. Hoje, com cerca de 4000 associados e aproximadamente 250 trabalhadores, A Voz do Operário mantém actividade regular nas áreas da educação, apoio social e cultura.
Dispõe de oito espaços educativos, distribuídos por Lisboa, Barreiro e Almada, frequentados por cerca de 1400 alunos, desde a creche ao segundo ciclo, com metodologias que privilegiam a autonomia, a solidariedade e a participação. Desenvolve ainda serviços como refeitório social, centro de convívio para idosos e apoio domiciliário, além de uma programação cultural diversificada, onde se destacam a Gala de Fado e os tradicionais arraiais de Santo António.
Aos 143 anos, A Voz do Operário reafirma uma história de inovação, força colectiva e solidariedade, projectando-se como instituição de referência na cidade de Lisboa e na Área Metropolitana.




